Em 6 cidades, 83% de poluição por esgoto

Empresas locais tratam menos que a Sabesp; em Guarulhos, 25% da população não tem nem coleta

Eduardo Reina e Paulo Saldaña, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2008 | 00h00

Além da poluição da capital, a cada dia a Região Metropolitana de São Paulo recebe mais de 394 milhões de litros de esgoto não tratado em seus rios e córregos, equivalentes a 83% do total produzido em seis municípios da Grande São Paulo atendidos por companhias de saneamento que não a Sabesp: Santo André, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Mogi das Cruzes e Osasco. A população desses municípios (quase 4 milhões de habitantes) gera 477,359 milhões de litros de esgoto a cada 24 horas e apenas 17% passam por tratamento.A situação mais grave é a de Guarulhos. Com a maior população entre essas cidades, com mais de 1,2 milhão de habitantes, o município não trata uma gota dos 213,6 milhões de litros de esgoto produzidos diariamente. Cerca de 25% desse total sequer é coletado. Em Mauá, o sistema de saneamento está sob a responsabilidade da iniciativa privada, mas apenas 3% dos dejetos passam por tratamento - pouco para a cidade que produz 47,4 milhões de litros por dia. Apesar da situação calamitosa, as prefeituras têm boas perspectivas para avanços no tratamento. Guarulhos planeja alcançar, até 2013, capacidade para tratar 70% do esgoto da cidade. De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), serão investidos nos próximos cinco anos R$ 249,3 milhões no sistema. Os recursos virão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e de verbas municipais. Em Mauá, a meta é conseguir tratar 90% do esgoto produzido até 2013. O investimento no município não é tão expressivo. Aproximadamente R$ 50 milhões, segundo a Assessoria de Imprensa da Empresa Concessionária de Saneamento de Mauá (Ecosama). Os recursos viriam da concessionária e de financiamento obtido com a Caixa Econômica Federal. Sem uma estação de tratamento local, Santo André depende de obras da Sabesp para levar seus dejetos para a estação da tratamento ABC. "Ainda não temos uma estação de tratamento. Redes coletoras dependem de obras da Sabesp, que já está desenvolvendo projetos", observa a diretora do Departamento de Planejamento e Obras do Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), Soraia Dias.A cidade que vive a melhor situação é São Caetano do Sul, onde são coletados quase todos os 30,2 milhões de litros produzidos diariamente. Desse total, 80% são tratados. De acordo com o chefe da Divisão Técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Sandro Fortunato Casini, já em dezembro o município conseguirá tratar praticamente 100% do esgoto, "com o remanejamento e implementação de dois emissários". O custo do projeto é de cerca de R$ 5,3 milhões, com parte financiada pela Caixa Econômica Federal, dentro do Programa Saneamento para Todos, e parte bancada pelo próprio DAE.Em todo o território nacional, a situação é pior ainda. A universalização do acesso à rede de coleta de esgoto só atingirá 100% da população daqui a 115 anos, se mantidos os atuais níveis de investimento no setor - 0,22% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Brasil ocupa a 67º posição no ranking mundial de países com acesso a esgoto, de acordo com dados das Nações Unidos, atendendo a 47% da população.

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