REUTERS/Paulo Whitaker
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Em 7 dias, número de mortes no ES supera todo o fevereiro de 2016

Segundo sindicato, Espírito Santo teve pelo menos 300 lojas saqueadas e 666 carros furtados e roubados

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2017 | 23h20

Após sete dias de motim de policiais militares, o número de mortes violentas no Espírito Santo subiu para 127, dez só nesta sexta-feira, 10, segundo o Sindicato de Policiais Civis. Em fevereiro de 2016, houve 122 homicídios. Apesar das tropas federais, a maioria das escolas, unidades de saúde e bancos seguiu de portas fechadas. Ônibus tiveram circulação restrita. 

O movimento nas ruas de Vitória era praticamente de carros particulares e táxis. O Estado já tem pelo menos 300 lojas saqueadas e 666 veículos roubados e furtados. Segundo o presidente do sindicato de policiais civis, Jorge Leal, houve 522 roubos e 144 furtos registrados nas delegacias. A média, diz ele, é de 550 veículos roubados por mês. 

Uma auxiliar de serviços gerais, de 43 anos, pilotava a sua moto em Vila Velha, quando foi dominada por bandidos armados. Eles ordenaram que descesse do veículo e entregasse as chaves, sob ameaça de morte. 

“Foi um momento de terror. Ainda não paguei a moto e me senti impotente. Era meio-dia quando aconteceu, mas não tinha ninguém na rua, estava tudo deserto. Fiquei com medo de gritar e morrer ali”, contou. 

A enfermeira Fabíola Machado, de 33 anos, conseguiu recuperar o carro, roubado na última segunda-feira. Ela foi atacada por dois ladrões quando estacionava o veículo em Vitória. “Mantive a calma e entreguei tudo”, afirmou. 

“Divulgamos a placa do nosso veículo na internet e conseguimos localizá-lo. Ele estava sem gasolina em uma estrada no município da Serra (Grande Vitória)”, relatou Fabíola. 

Uma operação da Polícia Civil feita na manhã desta sexta apreendeu 32 veículos roubados em municípios da Grande Vitória. A quantidade é duas vezes a mais do que é recuperado, em média, em todo o Estado a cada dia.

Já a Federação do Comércio de Bens, de Serviços e Turismo do Estado estima prejuízos de R$ 180 milhões com os saques em lojas. Esse cálculo não considera ainda o dinheiro perdido com os dias parados. 

A entidade ainda conclamou empresários a voltarem ao trabalho na segunda, “munidos de coragem, guarnecidos que estarão pelas forças federais”.

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta.

Transtorno. Nas ruas da Grande Vitória, bancos estão fechados. Para pagar contas, é preciso recorrer a locais como supermercados. Mas isso tem gerado enormes filas. 

“Estou cheia de contas para pagar, sem dinheiro e ainda falta comida em casa. Minha filha me pede para tomar leite e nem isso tenho para oferecer a ela", contou a empregada doméstica Daniela Nascimento.

A família está sob alerta. “Quando ouço qualquer barulho, eu me escondo com minha filha. É desesperador”, afirmou Daniela, de 44 anos. 

A Universidade Federal do Espírito Santo teve até mesmo de adiar a matrícula presencial de estudantes aprovados pelo Sistema de Seleção (Sisu), prevista para semana que vem.

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta. O governo chegou a fazer um acordo com os policiais para que voltassem ao trabalho, mas os familiares continuaram com as manifestações./ MARCIO DOLZAN, CLARISSA THOMÉ E VINÍCIUS RANGEL

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