Em Acari, ex-criminosa protagoniza filme

De um lado da rua, dois garotos de cerca de 12 anos fumam maconha com uma pistola 9mm na cintura cada um. Riem enquanto brincam com as armas, como se não fossem reais. Do outro lado, um grupo de jovens da comunidade faz dessa realidade sua matéria-prima. Apenas um muro, onde se pode ler Luz, Câmera, Ação e Esperança na Vida, os separa.A rua fica no Complexo de Acari, zona oeste do Rio, região dividida entre traficantes do Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA), que por isso mesmo vive sob tensão. Passando aquele muro, os brinquedos são outros: câmeras digitais que transformam a realidade dos adolescentes em curta-metragens. À frente do projeto, mantido pelo Espaço Cultural Dom Pixote, está um jovem formado pela Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba. Nascido em Acari, Jocemir Ferreira já viu 600 adolescentes passarem por ali. Já viu também muitos que nunca chegaram a se tornar adultos, mortos no tráfico.Aos 26 anos, Verônica Marcelino da Silva tinha tudo para ser um desses. Cresceu no crime, passou dois anos na Penitenciária de Bangu 7 "condenada pelo 157", roubo com uso de arma de fogo. "Saí da cadeia como uma criança, sem saber andar nem o que fazer", conta.Não precisou. No dia em que saiu, a equipe de Jocemir estava na porta de Bangu 7 para filmar sua história. Assim, Verônica se transformou pela primeira vez em protagonista da própria vida. "Hoje, estou recuperada e sou mãe de verdade para meu filho", diz ela, que sonha com o dia em que possa ser reconhecida pelo trabalho com seu grupo de funk, Verônica e as Devassas.

Emilio Sant?anna, Rio, O Estadao de S.Paulo

21 de dezembro de 2008 | 00h00

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