Breno Pires/Estadão
Breno Pires/Estadão

Em Aparecida, há quem não saiba da vinda do papa

Alguns fiéis temem a superlotação no dia da visita do pontífice em julho

Breno Pires, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2013 | 14h57

APARECIDA - A vinda do papa Francisco ainda não é de conhecimento pleno do público que costuma visitar Aparecida. Alguns fiéis e romeiros que marcaram presença no Santuário Nacional no domingo de Dia das Mães, 12, não sabiam a data da visita - ou sequer que haveria visita.

Para voltar no dia 24 de julho, os visitantes apontaram duas dificuldades: o fato de que a missa será realizada no meio da semana e o temor de que a multidão dificulte a visibilidade do papa e traga insegurança. O que pode ajudar alguns são as férias de julho.

A bancária Camila Fustaini, de 20 anos, foi pega de surpresa com a informação. "Eu nem sabia que ele ia vir aqui, somente no Rio, mas é um caso de ser avaliado, porque vale muito a pena. Vamos pensar nessa hipótese. Seria muito emocionante ver o papa, valeria todo o esforço", disse a jovem, que veio de Piracicaba com a mãe Lúcia Nastaro, de 40 anos.

 

 

Chefe de uma excursão com 38 pessoas que vieram de Conchal, perto de Campinas-SP, Otávio Ferreira disse saber da visita, mas não da data. "Eu vou oferecer ao meu grupo. Muita gente vai querer vir", disse ele, que realiza excursões há mais de 20 anos.

A pedagoga Silvia Pedroso, que veio em excursão de Santa Cecília do Pavão, no Paraná, já estava ciente, mas afirmou que não poderá vir devido ao trabalho. No entanto, disse que conhecidos seus já começam a se programar. "Na nossa cidade, todo mundo está arrumando a romaria e vai vir bastante gente."

 

 

A oportunidade é encarada como única por muitos, como a aposentada Maria Santos, de 79 anos, de São Paulo. "Outros papas já vieram e eu não pude ver. Agora eu quero vir. Quero pegar na mão dele", diz, olhando para o filho Edevaldo Siqueira, de 54 anos, como quem faz um pedido.

Mas há também quem considere que a visita não vale a pena, como a aposentada Maria de Lourdes, de 75 anos, que compareceu à visita do papa João Paulo II em 1980. "Não consegui enxergar o papa João Paulo II, então não vou voltar para ver o papa Francisco porque não vai adiantar. É melhor ver pela televisão", disse.

Ao lado de seus dois filhos, Elaine Alves, de 33 anos, moradora de Indaiatuba, manifestou vontade, mas disse que não se sentiria segura. "Gostaria de vir, mas acho que vai ser muito apertado."

Algumas pessoas, no entanto, já confirmam antecipadamente a presença. O gerente comercial Edson Guilhermino, de 35 anos, afirma que virá do Rio de Janeiro para Aparecida para ver o papa no Santuário.

 

 

"A gente tem que aproveitar todos os dias esse privilégio de estar recebendo a bênção do papa", disse Edson, que também se deslocou ao local na visita de Bento XVI em 2007, em seu carro particular. Ele é só elogios ao papa Francisco. "É muito mais carismático e é a cara do povo. Ele está mostrando esse fator positivo que estava faltando realmente na nossa Igreja Católica."

Enquanto atravessava de joelhos a passarela que liga a Basílica e a Igreja Velha, pagando promessa pela cura do filho Eduardo de uma doença nos rins, a autônoma Luciana Dias Camargo, de 28 anos, disse que fará um esforço extra para acompanhar a visita do papa.

 

 

"Hoje meu filho recebeu alta e eu vim direto do hospital para cumprir a promessa em louvor a Nossa Senhora. Se Deus quiser, no dia 24 de julho estarei aqui também, na presença do papa, para renovar a minha fé", afirmou Luciana.

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