Em área indicada por FAB, navio ainda não vê destroços

Navio mercante holandês chegou ao local onde a FAB avistou destroços durante buscas do avião da Air France

Reuters ,

02 de junho de 2009 | 14h15

Um navio mercante holandês que chegou no início da tarde desta terça-feira, 2, ao local onde a Força Aérea Brasileira (FAB) avistou destroços durante buscas do avião da Air France desaparecido no oceano Atlântico ainda não visualizou nenhum objeto, informou a Marinha.

 

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"Um navio mercante holandês chegou ao local indicado mas ainda não viu nada", disse à Reuters o capitão-tenente da Marinha Henrique Afonso, do 3° Distrito Naval em Natal.

 

A FAB informou mais cedo que aviões em operação de busca do voo AF 447, desaparecido desde domingo com 228 a bordo, visualizaram peças metálicas e não-metálicas, incluindo poltronas, e vestígios de óleo a aproximadamente 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha.

 

A Aeronáutica disse que ainda não é possível afirmar que se os destroços são do Airbus A330 desaparecido.

 

O capitão-tenente da Marinha disse que três navios mercantes foram identificados em rota comercial próximo ao local onde se acredita que o avião da Air France tenha desaparecido, de acordo com sua localização quando realizou o último contato quatro horas após decolar.

 

A Marinha solicitou às três embarcações que alterassem suas rotas para procurar por sobreviventes do voo Rio-Paris que decolou no domingo e desapareceu após fazer contato pela última vez com as autoridades brasileiras após passar por Fernando de Noronha.

 

"Navios mercantes têm uma função específica de recolher sobreviventes, mas podem também nos passar informações se avistarem algum destroço", disse o capitão-tenente.

 

Três navios da Marinha partiram na segunda-feira para ajudar nas buscas pelo avião. O primeiro a chegar será o navio patrulha Grajaú, com previsão de chegada à área onde foram vistos os destroços às 11h (horário de Brasília) de quarta-feira, 3.

 

A corveta Caboclo e a fragata Constituição chegarão na quarta-feira. Outras duas embarcações da Marinha - uma fragata e um navio-tanque - partirão nesta terça-feira do Rio de Janeiro também para o local onde se concentram as buscas.

 

A Força Aérea Brasileira tem 10 aeronaves disponíveis nas ações de busca e resgate do Airbus A330.

 

Voo 447

 

O Voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa, caso não sejam encontrados sobreviventes. O avião deveria ter chegado a Paris às 11h (6h, horário Brasília), mas perdeu o contato.

 

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

 

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.

 

Causas

 

A investigação das causas do acidente foi entregue ao Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), da França. Os motivos para o desaparecimento do Airbus A330 da Air France seguem desconhecidos.

 

A Air France fez um relato das horas seguintes a sua decolagem do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 19h (Brasília). Segundo a companhia, o avião atravessou uma zona de tempestades e turbulências fortes que poderiam ter afetado seus circuitos elétricos. Durante o voo, a 1.228 quilômetros de Natal, a aeronave informou perda de pressurização. O diretor de comunicação da companhia, François Brousse, declarou que também é possível que o avião tenha sido atingido por um raio.

 

Outra possível causa é a condição climática da região onde o avião teria desaparecido. Trata-se da chamada zona de convergência intertropical, onde há a formação de muitas áreas de instabilidade, com raios e tempestades. De acordo com a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp, esta hipótese não pode ser descartada, mas ela destaca que esta zona de convergência intertropical é muito conhecida de pilotos e companhias aéreas. Portanto, esta instabilidade da região seria levada em conta no plano de voo da aeronave da Air France.

 

A falta de explicações para o acidente obrigou o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o ministro da Ecologia e dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, a admitirem, ainda na noite de ontem, que a hipótese de ato terrorista não está sendo ignorada. "Nada pode ser descartado", afirmou Borloo. Embora o Brasil não seja alvo de ações terroristas, a França é, constantemente, objeto de ameaças provenientes de grupos islâmicos extremistas.

 

Mesma opinião foi manifestada pelo ministro da Defesa francês, Herve Morin. "Não podemos descartar um ato terrorista já que o terrorismo é a maior ameaça às democracias ocidentais, mas nesse momento não temos qualquer elemento indicando que tal ato tenha causado esse acidente", afirmou à rádio Europe 1, segundo a Reuters.

 

Veja os contatos feitos pela aeronave:

 

- 19h30 (horário de Brasília) - a aeronave decolou do Aeroporto do Galeão

  

- 22h33 (horário de Brasília) - a aeronave realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III), na posição INTOL que está localizada a 565 quilômetros de Natal (RN). Neste ponto, a aeronave informou que ingressaria no espaço aéreo de Dakar, a 1.228 quilômetros de Natal, às 23h20 (horário de Brasília).

  

- 22h48 (horário de Brasília) - a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta III, de Fernando de Noronha. As informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 35.000 pés (11 quilômetros) de altitude e a uma velocidade de 453 KT (840 quilômetros por hora).

  

- 23h20 (horário de Brasília) - este era o horário estimado para o novo contado da aeronave, o que não aconteceu. O Cindacta III informou a falta de contato ao Controle Dakar.

 

 - 02h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º), o Salvero Recife acionou os meios de busca da Força Aérea Brasileira (FAB), com uma aeronave C-130 Hércules e uma P-95 Bandeirante de patrulha marítima, além do Esquadrão aeroterrestre de Salvamento (PARASAR).

  

- 8h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º) - a Air France informou ao Cindacta III que a aproximadamente 100 quilômetros da posição Tasil, a 1.228 quilômetros de Natal, o Voo 447 enviou uma mensagem para a companhia informando problemas técnicos na aeronave (perda de pressurização e falha no sistema elétrico).

  

 

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