Mauro Pimentel/AFP
Mauro Pimentel/AFP

Em Brumadinho, clima é de consternação durante enterros das primeiras vítimas

Quarto dia após rompimento de barragem em MG tem movimentação para velório dos primeiros mortos identificados

Pablo Pereira, Enviado especial

28 de janeiro de 2019 | 13h02

BRUMADINHO - Enquando os dois primeiros helicópteros do Exército sobrevoavam o vale devastado pela tragédia de Brumadinho, fazendo reconhecimento da área, por volta das 10 horas desta segunda-feira, 28, o clima nos cemitérios da cidade era de consternação. Desde cedo, a movimentação na cidade, no início do quarto dia do desastre, era para receber os primeiros dos 19 mortos identificados. Segundo levantamento do Corpo de Bombeiros, divulgado pela manhã, pelo menos 60 pessoas morreram no desastre.

O motorista Mauricio de Lemos, de 53 anos, foi o primeiro a ser enterrado no cemitério Parque das Rosas, no bairro Salgado Filho. O corpo dele foi encontrado num local que fica na frente de onde funcionava o refeitório da Vale, destruído pela avalanche de lama. Desolada, a filha dele, Juliana, afirmou, durante a cerimônia, que o pai contava em casa que teria transportado sacos de areia para a área da barragem. “Aquilo lá foi uma tragédia anunciada”, disse Juliana. 

Ainda pela manhã, foram enterrados no Parque das Rosas outros dois trabalhadores. O local estava sendo preparado desde domingo e tem covas abertas, com três carneiras, com capacidade para receber até 98 corpos. David Marlon Gomes Santana, de 24 anos, solteiro, que segundo documentos do Instituto Médico Legal de Minas Gerais, foi vítima de politraumatismo. Ele trabalhava para uma empresa terceirizada da Vale. Depois, foi a vez de Francis Marques da Silva, de 34 anos, casado, também politraumatizado na avalanche de lama que escorreu morro abaixo quando a barragem da Vale se rompeu na mina do Córrego do Feijão.

“Isso aqui é muito difícil, amigo”, afirmou Rafael Carlos da Silva, de 21 anos, amigo de David que chegou ao cemitério acompanhado pelo amigo Rafael de Oliveira dos Santos, de 23 anos. “O David foi nosso colega de trabalho”, contou Rafael da Silva. De acordo com fontes da família, o corpo foi resgatado na manhã de domingo. 

Segundo a Prefeitura, há enterros que não devem nem contar com velórios. Uma rápida cerimônia de despedida marcou o funeral de David Marlon, já no cemitério Parque das Rosas, minutos antes do sepultamento. Foi assim também com Francis, que deixa uma filha.

O enterro de Renato Rodrigues Maia, também resgatado da tragédia, foi no cemitério central, ao lado do centro da cidade, onde foram feitos velórios. No início da tarde, fontes do serviço funerário do município informavam que outras cinco vítimas deveriam chegar à cidade à tarde para sepultamento.

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