Em busca de crédito, empresário cai em golpe

Apenas em um caso, revendedora teve prejuízo de R$ 636 mil

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

Se não bastassem as incertezas trazidas pela crise econômica global, empresários paulistas estão tendo de lidar com um outro tipo de ameaça para os negócios: estelionatários "internacionais". O aumento da procura por crédito fez crescer nos últimos meses a ação de golpistas que se apresentam como intermediários de bancos no exterior, oferecendo taxas muito abaixo das praticadas por instituições nacionais. Ontem, promotores denunciaram dois homens acusados de causar prejuízo de R$ 636 mil a uma revendedora de equipamentos rodoviários. Outros cinco casos semelhantes são investigados pelo núcleo da capital do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).O primeiro golpe apurado pelo Gaeco ocorreu entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005. Em busca de crédito, o empresário José Valdenor de Quadros Fachini, sócio da Multieixos Implementos Rodoviários, foi contatado por dois representantes da GFX Consultoria, Negócios e Participações. Depois de ouvir quais eram as necessidades do empresário, Edson Luiz Anacleto e Clayton de Castro Dias ofereceram a captação de recursos em instituições financeiras estrangeiras.Diante da oferta tentadora, Fachini não teve dúvida: aceitou os serviços da consultoria e providenciou o envio dos dados cadastrais da Multieixos. Dias depois, ele foi comunicado da aprovação de crédito de 5 milhões no Fin Bank, nos Estados Unidos. Numa reunião realizada no escritório da consultoria, na Alameda Casa Branca, nos Jardins, um dos intermediários exigiu mais documentos e disse que seria preciso viajar para Nova York para assinar os papéis.A viagem ocorreu em 25 de janeiro de 2005. No mesmo dia, Anacleto esteve com o empresário na agência do Fin Bank. Sob o argumento de que seria preciso abrir uma conta no banco, o intermediário fez Fachini depositar R$ 59 mil em nome de uma outra empresa, AIM Investiments. Ao retornar ao Brasil, o empresário realizou outros três depósitos - de R$ 41 mil, R$ 476 mil e R$ 59 mil.Sem receber o valor prometido, o empresário telefonou diretamente para o Fin Bank. Foi informado de que o crédito nunca fora liberado, pois o banco não negocia com empresas brasileiras endividadas. Àquela altura, o prejuízo já era de R$ 636 mil. "Os empresários precisam estar atentos, principalmente nesta fase de dificuldade econômica, para não cair no golpe do crédito fácil", alerta o promotor Roberto Porto.Anacleto e Dias são acusados de estelionato. O Gaeco optou por não solicitar a prisão dos acusados, porque nesses casos a pena prevista é baixa - de 1 a 5 anos de reclusão - e a Justiça dificilmente aceita o pedido. Procurado pela reportagem, o empresário preferiu não conceder entrevista. Anacleto e Dias não foram localizados.

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