Em ''caçada'' de assassinos de cabo, Bope já matou 6 e feriu 3

Durante 6 dias, PMs subiram morros de 3 bairros; tropa diz que buscas vão continuar

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

17 Julho 2009 | 00h00

A busca pelos assassinos do cabo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Ênio Roberto Santiago dos Santos, de 33 anos, completou ontem seis dias com um saldo de 6 mortes, 1 mulher ferida, 3 presos, além de apreensões de armas e drogas. Ao assumir o comando da tropa de elite da polícia fluminense na terça-feira, o tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes disse que vai até o fim no que chamou de "caçada". O cabo foi morto na manhã do dia 10. Ele tentou impedir o roubo de um carro na Tijuca, zona norte do Rio, e foi baleado com um tiro na nuca. Santos era motorista do então comandante do Bope, Alberto Pinheiro Neto. A procura começou na tarde do mesmo dia nos Morros do Turano e Chacrinha. De acordo com o Bope, um homem que trocou tiros com os policiais foi morto. No entanto, moradores do Turano afirmam que Rodrigo Morais da Silva, de 18 anos, participava de um programa educativo na Fundação para a Infância e a Adolescência (FIA) e não tinha ligação com o crime. A FIA informou que ele estava desligado. O Bope fez a primeira investida contra os Morros do Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa, no centro, no dia seguinte. Após um intenso tiroteio, dois homens morreram e uma mulher ficou ferida por bala perdida. Ao final, homens armados desceram o morro e, em represália, queimaram um ônibus na Rua Itapiru, no Rio Comprido. No dia 13, ocorreu a operação mais violenta. O Bope subiu o Morro Santo Amaro, no Catete, zona sul, e matou três traficantes que receberam os policiais a tiros. No início da manhã de ontem, o batalhão voltou aos Morros do Fallet e Fogueteiro, mas não prendeu ninguém nem nada foi apreendido. Ontem, o Setor de Relações Públicas do Bope reafirmou que todos os mortos eram ligados ao tráfico e ressaltou que as operações vão continuar. Estudiosos alertam que a participação do novo comandante da PM, Mário Sérgio Duarte, com a farda do Bope no enterro do cabo pode ser interpretada como mensagem de vingança. "A presença dele com a farda do Bope foi desafortunada. Ele não representa mais apenas uma unidade, mas toda a corporação", afirmou o sociólogo Ignácio Cano, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador de segurança pública. Cano afirmou que considera justa e necessária a busca pelos assassinos, mas alertou que a postura do Bope em assumir a tarefa de achar os criminosos pode ser interpretada pela sociedade como revanche. "Pela lei, o trabalho deveria ser feito pela polícia investigativa. Isso só demonstra a esquizofrenia entre as polícias no Rio e reforça a lógica do extermínio mútuo entre policiais e criminosos."

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