Em Campos, 13 mil abandonam casas

Rio Ururaí está 6 metros acima do normal e previsão é de mais chuva

Pedro Dantas, CAMPOS, O Estadao de S.Paulo

03 de dezembro de 2008 | 00h00

A prefeitura de Campos, no norte fluminense, informou ontem que 13 mil pessoas já deixaram suas casas após a enchente que transbordou o Rio Ururaí, que está com o volume d?água 6 metros acima do normal. O último balanço divulgado pela Defesa Civil apontou que mais de 7.300 pessoas estão desalojadas e outras 2.713 mil ficaram desabrigadas. Ontem, pela primeira vez após três dias sem chover, o nível da água começou a baixar, segundo Henrique Oliveira, secretário de Defesa Civil. Mas a previsão de muita chuva para hoje - de 25mm a 30mm, ou seja, de 25 a 30 litros por metro quadrado, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia - deixou a população apreensiva. Ontem, dezenas de famílias continuavam a deixar suas casas às margens do rio. "Ajudei a salvar os pertences da minha mãe. A água chegou a 1,5 metro dentro da casa dela", disse Francisco Assis, de 36 anos, que carregava um aparelho de TV pela rua transformada em rio. Apesar do alerta das equipes de controles de zoonoses sobre o risco de leptospirose, algumas famílias resistiam à idéia de abandonar as casas. Grávida de 8 meses, Fabrícia Martins, de 27 anos, era uma delas. "Enquanto a água não cobrir tudo a gente vai ficando. Estamos dormindo mais de dez pessoas na casa de um vizinho." O outro temor são os saques. "Como a concessionária cortou a energia, tenho de dormir em uma casa sem luz, sem água e cheia de mosquitos", contou o militar Vanderlei Diniz, de 53 anos. No início da tarde, os caminhões da prefeitura não davam conta dos moradores que queriam salvar os pertences e deixar as casas. "Estamos com fome, passamos a noite nesta água podre e tudo o que fazem é pedir para esperarmos", lamentou Cláudio Nascimento. A água abriu uma cratera na Rodovia do Ceramista, que liga Ururaí a Goytacazes.Só caminhões grandes são autorizados a passar. A ponte sobre o rio foi interditada a veículos pesados e corria risco de desabar. O trânsito na entrada de Campos ficou lento, com filas de até 5 quilômetros. A Serla, da Secretaria Estadual do Ambiente, anunciou que está previsto ações de desassoreamento do Rio Ururaí, obras para baixar o nível da água da bacia da Lagoa Feia, reposição dos diques e abertura do Canal das Flechas.

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