Juliana Gardoni
Juliana Gardoni

Em Caratinga, fãs e admiradores se reúnem para homenagear e se despedir de Marília Mendonça

Cantora faria um show no município do interior mineiro na noite desta sexta-feira. ‘Fomos do céu ao inferno’, relata fã

João Ker, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 22h41

Com pouco mais de 90 mil habitantes, o município de Caratinga, no interior de Minas Gerais, foi “do céu ao inferno” na tarde desta sexta-feira, 5, quando a morte da cantora Marília Mendonça foi confirmada após seu avião cair em Piedade de Caratinga, a 20 quilômetros dali. Às 21h, fãs e admiradores se reuniram na Praça Cesário Alvim, no centro da cidade, para homenagear a artista e se despedir da “rainha da sofrência”.

A homenagem a Marília foi organizada de última hora, como uma forma de reunir e dar alento aos fãs que ansiavam pelo show da cantora na cidade. Aos poucos, eles foram se reunindo em volta do coreto desenhado por Oscar Niemeyer, no centro da praça. Uns com velas, outros com a luz do celular ligada, todos entoando os maiores sucessos da artista de 26 anos que se tornou um ícone do sertanejo e uma figura quase familiar para aqueles que a acompanhavam. 

“Agora a gente tem mais uma estrelinha no céu”, gritou um dos presentes. Aplausos se seguiram e, logo, a multidão de centenas de pessoas cantava mais uma música de Marília Mendonça. “Está todo mundo triste, mas querendo prestar essa homenagem. Eu confesso que também estou abalado, porque a gente edifica demais o nosso ídolo e não percebe que eles são pessoas como nós mesmos”, conta Clauton Luís, criador de conteúdo digital de 25 anos que acompanhava o ensejo.

Por volta das 22h, o coro de fãs ganhou a ajuda de um carro de som que chegou à praça tocando alguns dos muitos sucessos da cantora. “É uma forma de despedida mesmo, né? É pequeno aqui, não é uma cidade grande, então não estamos acostumados com algo assim. Mas pelo menos podemos nos despedir do ícone, porque ela é uma rainha e sempre vai ser”, conta Julie Silva.

Aos 25 anos, ela conta que acompanha o trabalho de Marília Mendonça desde o início e já viu dois shows da cantora. O desta sexta, entretanto, teria um gosto especial: além de ser a segunda vez que a artista se apresentaria na cidade (a primeiro e única foi em 2016), o evento marcaria também a primeira festa de Julie e da maioria dos caratinguenses no pós-pandemia. 

“É igual quando morre alguém bem próximo da família, a gente não quer acreditar. Acho que a ficha nem caiu ainda. Nós fomos do céu ao inferno hoje”, conta. “Foi uma das piores sensações.”

A homenagem terminou em frente à Catedral de São João Batista, onde os presentes rezaram um Pai Nosso em uníssono, dedicado à cantora, muitos deles com lágrimas nos olhos.

‘É como se ela fosse nossa amiga de bar’

O movimento era intenso pelas ruas e comércio de Caratinga nos últimos dias, muito em parte pela apresentação de Marília Mendonça. Na manhã desta sexta, vans de turismo eram vistas espalhadas pela cidade e muitos fãs da região tinham se deslocado para o município na expectativa de ver o show da artista. 

“A galera estava extremamente empolgada. Todo mundo queria saber que horas ela ia subir no palco, porque aqui o pessoal sai de casa muito tarde”, conta o influenciador digital Vinícius Grings, que estava trabalhando na divulgação do evento. “A expectativa não só minha, mas da cidade, tava bem grande. O comércio estava bem movimentado e geral tava comprando até roupa pra ir no show.”

“Quando fiquei sabendo do acidente, foi uma reação de choque. A academia toda parou e acabou o treino ali. Não só por ser ela, mas por ser uma jovem de 26 anos e mãe”, desabafa Grings. “Consideramos ela quase como uma amiga nossa de bar.”

“A Marília era uma pessoa que, além da parte musical, sempre demonstrou um carinho muito grande com os fãs. Eu sempre brincava que minha maior vontade era sentar num bar pra tomar uma cerveja com ela”, conta a advogada Mariana Tonieto, de 25 anos.

Mariana diz que comprou ingressos para o show da artista assim que as vendas começaram e que estava ansiosa porque essa seria sua primeira vez vendo Marília ao vivo. “A minha ficha foi caindo aos poucos, porque a notícia foi chegando aos poucos. Eu tive que parar de trabalhar, o corpo tremia todo porque é como a perda de alguém próximo da família.”

Glauco Souza, que estava sobrevoando a região apenas minutos antes do avião que transportava Marília, explica o choque coletivo: “Todo mundo aqui na cidade está muito traumatizado. É um fato trágico e todos estamos muito sentidos. Apesar de ser uma pessoa com muita expressão popular, era uma jovem, de só 26 anos. Nós não estamos acostumados com isso.”

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