Em carta a Lula, Itália expressa espanto por asilo a Battisti

Governo italiano estuda outras alternativas para que o Brasil extradite ex-terrorista condenado em Roma

Efe

17 de janeiro de 2009 | 12h26

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, enviou uma carta a Luiz Inácio Lula da Silva, na qual expressa ao colega brasileiro suas "queixas" e seu "estupor" pela decisão do Ministério da Justiça do Brasil de conceder o status de refugiado político ao ex-terrorista Cesare Battisti. O governo italiano, que várias vezes pediu às autoridades brasileiras que reconsiderasse o status concedido a Battisti, estuda todas as alternativas para que o Brasil extradite o ex-terrorista do grupo Proletários Armados para o Comunismo, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos. Veja também:TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso  Documento: Processo do Ministério Público que defere extradição de Battisti  Mendes adia decisão e pede esclarecimentos sobre caso BattistiDecisão do Brasil é soberana, afirma LulaBattisti diz que recebeu com 'alívio' decisão de Genro Suplicy defende asilo a Battisti; Sarkozy conversou com LulaItália chama embaixador brasileiro e reclama de asilo a Battisti Governo italiano apela a Lula para rever refúgio dado a escritor  Battisti é autor de romances policiais na França   É tradução brasileira acolher criminosos políticos, diz Tarso Segundo um comunicado da Presidência italiana, na mensagem, Napolitano explica a Lula "as garantias" do ordenamento constitucional e jurídico italiano em relação aos "responsáveis por crimes de terrorismo". Além disso, na carta, o presidente italiano faz-se porta-voz da "comoção e da compreensível reação que teve no país e entre as forças políticas a grave decisão" do ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro. Uma opção que as autoridades da Itália consideram é recorrer ao Superior Tribunal de Justiça do Brasil. Battisti, de 53 anos, foi julgado à revelia em 1993 na Itália e condenado à prisão perpétua como autor dos assassinatos de Antonio Santoro, Lino Sabbadin, Andrea Campagna e Pierluigi Torregiani. Da França, onde viveu como refugiado de 1990 a meados desta década, o ex-terrorista sempre negou sua responsabilidade nos crimes. Há quatro anos, para evitar sua extradição para a Itália, Battisti fugiu para o Brasil, onde foi detido.

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