Em carta, controladores de vôo pedem 'socorro' à sociedade

Para categoria, prisão de presidente da associação 'está recheada de irregularidades e arbitrariedades'

André Alves, do Estadão

28 Julho 2007 | 14h33

Um texto elaborado por controladores de vôo e enviado à reportagem do Estado neste sábado, 28,  revela que a crise dentro do Cindacta-4, em Manaus, está longe de acabar. Os militares se dizem "perseguidos" pelo comando da Aeronáutica e pediram "socorro" da sociedade.   De acordo com os controladores, a prisão do presidente da Associação Amazônica dos Controladores de Tráfego Aéreo, tenente Wilson Alencar, "está recheada de irregularidades e arbitrariedades".   Wilson Alencar foi detido na última quinta-feira, por determinação do comando da Aeronáutica, no Amazonas, sob o argumento de ter faltado ao serviço. Na versão apresentada pela Força Aérea Brasileira (FAB), Alencar não justificou o motivo da ausência ao serviço no dia 5 de julho deste ano.   Segundo controladores de vôo, Alencar faltou ao serviço para acompanhar a esposa ao médico.   Mesmo tendo justificado a ausência com um atestado médico e um termo de acompanhamento da esposa, o tenente recebeu, em 6 de julho, uma Ficha de Avaliação de Transgressão Disciplinar (Fatd) e foi imediatamente transferido para o Sétimo Comando Aéreo Regional (7º  Comar), em Manaus. Na ocasião, era o sexto controlador afastado do Cindacta-4.   Como registram os militares, só no dia 26 de julho, 21 dias depois da falta teoricamente não justificada, e quando já estava atuando no Sétimo Comar, Wilson Alencar recebeu a notícia de que ficaria detido por quatro dias.   "Vale ressaltar que o regulamento prevê que o detido seja comunicado três dias antes de sua punição, afim de que o mesmo se prepare", dizem os controladores.   "No Cindacta-4 estamos sendo queimados vivos simplesmente por exigir melhores condições de trabalho e maiores coeficientes de segurança. Qualquer pequeno motivo é objeto para responder por transgressão", dizem os militares, no texto. "Pedimos socorro à todos", registram. "Está chovendo cadeia aqui em Manaus. Infelizmente nossos superiores não aprenderam com duas tragédias. Se valem do pretexto de hierarquia e disciplina para enforcar todos aqueles que ousam relatar as inúmeras falhas do sistema", concluem.   Leia a carta na íntegra:   PRISÃO IRREGULAR, ARBITRÁRIA E AUTORITÁRIA.   Está prisão do presidente da Associação Amazônica dos controladores de tráfego aéreo está recheada de irregularidade e arbitrariedade. No dia 05 de julho de 2007, o Sr. Wilson Alencar, presidente da associação, faltou o expediente, quando ainda prestava serviço no CINDACTA IV, para acompanhar a esposa ao médico.   No dia 06 de julho recebeu uma FATD (ficha de avaliação de transgressão disciplinar) e simultaneamente foi transferido para o sétimo comando aéreo regional. Seria o sexto controlador afastado seguindo um roteiro que a aeronáutica planejou de afastar as chamadas "lideranças negativas".   O mesmo justificou a falta com um atestado médico e termo de acompanhamento de sua esposa.Contudo, No dia 26 de julho de 2007, quando já estava trabalhando no sétimo COMAR, foi surpreendido com a notícia que ficaria detido, a partir daquele data. Vale ressaltar que o regulamento prevê que o detido seja comunicado três dias antes de sua punição, afim de que o mesmo se prepare, salvo em caso de interesse da administração e para tanto não há motivação.   Então, Alencar seguiu para o alojamento da Base Aérea de Manaus.Se já não fosse suficiente toda essa arbitrariedade, às 20h30min do dia 27 de julho, cinco colegas ao visitá-lo foram surpreendido pelo comandante da Base aérea de Manaus, Coronel Myaguti.   Este coronel ordenou que Alencar retornasse para seu quarto e por alguns minutos proibiu a saída dos cinco visitantes. Bradou em alto e bom tom que os cinco junto com Alencar estavam ali para tramar um motin(sic) e proporcionou uma cena constrangedora à todos, anotando o nome dos cinco visitantes na frente de todos os hóspedes do hotel.   Após alguns minutos, iteralmente expulsou os visitantes. O próprio comandante da Base Aérea admitiu que as visitas não estivessem proibidas, mas admitiu o fato de dois dos visitantes serem integrantes da associação, o que é plenamente legal, o motivou a proibir aquela simples visita.   Vale lembrar que em momento algum o Sr Alencar foi informado por qualquer superior de que não poderia receber visitas e não há registros em boletim de que sua detenção se dariade modo INCOMUNICÁVEL.   Como se percebe não há motivação suficiente para tal ato, pois ele tinha atestado. Além do mais não teve se quer tempo hábil para recolher objetos pessoais e enfrentar a detenção. E por quê que não poderia receber visita já que não tava (sic) incomunicável?   Outro fator intrigante é que outros dois colegas que faltaram o serviço operacional, o que em tese é pior do que um simples expediente, foram punidos somente com 2 dias e Alencar com 4 dias?A falta ao serviço, claro que não de forma rotineira, sempre foi tolerado pela aeronáutica ainda mais com atestado.   Por quê justamente resolve cobrar de forma rigorosa justamente com o presidente de uma associação plenamente constituída? Pedimos socorro à todos. No CINDACTA 4 estamos sendo queimados vivos simplesmente por exigir melhores condições de trabalho e maiores coeficientes de segurança. Qualquer pequeno motivo é objeto para responder por transgressão.   Coisas rotineiras estão sendo severamente punidas. Está "chovendo cadeia aqui em Manaus". Infelizmente nossos superiores não aprenderam com duas tragédias. Se valem do pretexto de hierarquia e disciplina para enforcar todos aqueles que ousam relatar as inúmeras falhas do sistema.   Estamos nos afogando e quem deveria usar a corda para nos salvar, a aeronáutica, está usando-a para nos enforcar.   SOCORRO!!!

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