Em carta, gays cobram ''respeito'' de candidatos

Associação divulgou carta aberta a Dilma e Serra em que cobram o direito à diversidade

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2010 | 00h00

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) divulgou ontem uma carta aberta aos presidenciáveis, cobrando mais respeito "à democracia, à cidadania de todos e de todas, à diversidade sexual e à pluralidade cultural e religiosa".

Representando 237 entidades em todo o Brasil, a ABGLT enviou o documento a comitês estaduais e nacionais do PSDB e do PT e o publicou em seu site. A carta critica duramente o que chama de "instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral" e expressa preocupação com a "inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos."

Para o presidente da ABGLT, Toni Reis, a disputa eleitoral está reduzida a uma batalha entre gays e religiosos. "A discussão não é essa. O Estado é laico e o que estamos pedindo é que a cidadania dos homossexuais seja completa. Hoje, um casal homossexual tem 78 direitos negados e 3,2 mil gays foram assassinados nos últimos 20 anos", disse Reis.

Ao clamar a Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) "pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica", o documento afirma que o núcleo das diferenças entre PT e PSDB não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública. São, então, levantadas ações de Dilma e Serra em suas vidas políticas que deixam transparecer que ambos já se mostraram favoráveis a uma ampliação dos direitos de homossexuais.

A ABGLT lembra que José Serra, como ministro da Saúde, "implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/aids e normatizou o aborto legal no SUS". Menciona ainda que o governo FHC, do qual Serra fez parte, "elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT". Por fim, acrescenta que, como prefeito e governador, Serra criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual e compareceu à Parada LGBT de São Paulo.

No caso de Dilma, a associação cita que a candidata fez parte "do governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT". Registra ainda que Dilma assinou com o presidente Lula o decreto de convocação da 1.ª Conferência LGBT do mundo.

Depois de enumerar essas medidas, a ABGLT pede aos presidenciáveis: "Não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo". Embora a pauta da carta não contemple incisivamente a questão do aborto, Reis ressalta que a ABGLT tem profunda solidariedade "com as mulheres que estão morrendo ao fazer aborto ilegal no Brasil, especialmente as mais pobres". Até o fechamento desta edição, as campanhas de Dilma e Serra ainda não haviam respondido à associação, mas Reis afirma ter recebido mensagens de apoio de deputados dos dois partidos pela publicação da carta.

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