EFE/ Maurizio Brambatti
EFE/ Maurizio Brambatti

Em carta, papa admite que abusos causaram 'ferida na credibilidade' da Igreja

Segundo o pontífice, em documento dirigido ao clero dos Estados Unidos, tentativa de acobertar ajudou a perpetuar conflitos

Redação, EFE

04 Janeiro 2019 | 18h28

O papa Francisco pediu ao clero dos Estados Unidos, em carta divulgada pela Santa Sé nesta quinta-feira, 3, que adote uma nova mentalidade no modo de exercer a autoridade, diante da "ferida na credibilidade" da Igreja causada pelos casos de abusos.

Na carta, o papa reconhece que "a credibilidade da Igreja se viu fortemente questionada e debilitada por estes pecados e crimes", pelos abusos de poder, de consciência e sexuais, mas sobretudo pela vontade de querer dissimulá-los e escondê-los.

"A atitude de acobertamento, como sabemos, longe de ajudar a resolver os conflitos, permitiu que os mesmos se perpetuassem e ferissem mais profundamente as relações que hoje somos chamados a curar e recompor", escreveu o papa.

Segundo Francisco, para este trabalho, para a "luta contra a cultura do abuso, a ferida na credibilidade, o desconcerto, a confusão e o desprestígio na missão, é necessária uma renovada e decidida atitude para resolver o conflito".

Isto implica, acrescentou, "na capacidade - ou não - que possuímos como comunidade de construir vínculos e espaços sãos e maduros, que saibam respeitar a integridade e a intimidade de cada pessoa".

Também requer a "capacidade de convocar para despertar na construção de um projeto comum, amplo, humilde, seguro, sóbrio e transparente", completou.

Além disso, segundo o papa, é preciso "não só uma nova organização, mas a conversão da nossa mente, da nossa maneira de rezar, de lidar com o poder e o dinheiro, de viver a autoridade e de como nos relacionamos entre nós e com o mundo".

O papa ainda ressalta que o problema da credibilidade "não se resolve por decretos ou estabelecendo simplesmente novas comissões ou melhorando os organogramas de trabalho". Por fim, o pontífice pede unidade nesta missão para "romper o círculo vicioso da reprovação, da deslegitimação e do desprestígio" e para "evitar a maledicência e a calúnia". /EFE

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