Em carta, primo incrimina goleiro Bruno por assassinato de Eliza

Sérgio Rosa Sales, morto na semana passada, deixou registrado que sofria pressão para mudar depoimento

27 Agosto 2012 | 11h29

SÃO PAULO - Uma carta escrita por Sérgio Rosa Sales reforça que seu primo, o goleiro Bruno, tem envolvimento no assassinato de Eliza Samúdio, aparentemente morta em junho de 2010. Sales era o único dos investigados pelo crime que respondia ao processo em liberdade, desde 2011. Ele foi executado a tiros na última quarta-feira, 22 de agosto.

O conteúdo da carta foi revelado em reportagem da Rede Globo exibida durante o programa Fantástico, na noite do último domingo, 26. Segundo a matéria, Sales dizia no texto estar sofrendo pressão de outros advogados para alterar seu depoimento sobre a ação.

A carta é datada quatro dias após a reconstituição, momento em que o primo do goleiro Bruno deu informações decisivas à polícia sobre o desaparecimento de Eliza. Ainda no texto, Sales diz que tudo o que contou às autoridades é verdade. O documento estava com os pais de Sales e integra o processo investigativo.

Sérgio Rosa Sales, de 24 anos, foi encontrado morto com seis tiros em uma rua próxima de sua casa, no bairro Minaslândia, região norte de Belo Horizonte. Na sexta-feira, 24, a Polícia Militar afirmou ter preso os suspeitos pelo assassinato de Sales. A prisão aconteceu durante uma operação de combate ao tráfico de drogas no bairro do assassinato.

As investigações contra a compra e a venda de entorpecentes levou agentes militares até uma residência onde foram presas em flagrante sete pessoas, entre elas o proprietário do imóvel, Antônio de Oliveira Souza, de 43 anos. Depois da detenção do grupo, a PM afirma ter recebido uma denúncia anônima dizendo que entre os capturados estariam pessoas envolvidas na morte de Sales.

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga o assassinato e não descarta a chance do crime ter ocorrido como queima de arquivo, uma vez que os depoimentos do primo do goleiro Bruno são considerados essenciais nas apurações sobre o desaparecimento de Eliza.

Entenda o caso. O goleiro Bruno Fernandes é acusado pelo desaparecimento da modelo e ex-namorada do atleta Eliza Samúdio, ex-namorada do atleta. A polícia diz que a mulher teria sido assassinada em junho de 2010, em Belo Horizonte. O corpo, no entanto, nunca foi encontrado. Amigo de Bruno, conhecido como Macarrão, também responde por envolvimento no crime, assim como o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e o primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales.

Eles foram pronunciados por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver e aguardam o julgamento, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, sem data prevista.

Para a polícia, mesmo sem o corpo, não há dúvidas de que a modelo foi assassinada. Os advogados de defesa já mudaram de versão várias vezes. Primeiro, negaram que Eliza estivesse morta. Depois, admitiram que isso era fato.

As investigações são conduzidas pelo delegado do Departamento de Homicídios da Polícia Civil de Minas Gerais, Wagner Pinto. O estadão.com.br procurou a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Estado, mas a companhia afirmou que o delegado Wagner Pinto solicitou tempo para reaver o curso das investigações após a reportagem exibida na noite de ontem.

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