Em cartas, traficantes combinam assassinato de membro do AfroReggae

Segundo correspondência interceptada em cadeia no Paraná, alguém do AfroReggae 'estaria repassando informações organizações criminosas para órgãos do governo'

Marcelo Auler, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2010 | 19h19

RIO - Em uma das cartas que a segurança do Presídio Federal de Catanduva, no Paraná, prendeu com a mulher de um preso, membro da facção Comando Vermelho, informa que depende apenas da autorização do traficante carioca Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor, para que seja assassinado algum membro do AfroReggae, entidade que trabalha na recuperação de jovens envolvidos no tráfico de drogas. Segundo a correspondência, alguém do AfroReggae "estaria repassando informações importantes das organizações criminosas para órgãos de repressão do governo".

 

A existência da ameaça consta do registro da ocorrência da apreensão das cartas feita na Delegacia Federal de Cascavel, município a 40 quilômetros de Catanduva. Neste registro foi informado que na carta endereçada a Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho, o remetente, que assina apenas Felipe, comunicou que o CV estaria disposto a enfrentar a polícia durante a "a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora em algum morro do Rio de Janeiro".

 

Apesar de a correspondência não esclarecer o morro do confronto, o setor de inteligência do presídio interpretou que seria "possivelmente no Complexo do Alemão", na zona Norte do Rio, onde Marcinho VP foi o chefe.

 

As duas cartas foram encontradas, na quarta-feira, 20, por uma agente penitenciária com Rosângela Maria Ferreira, mulher do preso paranaense Washington Presence de Oliveira, de 23 anos, condenado a 80 anos de cadeia e transferido em outubro para o Presídio Federal depois de enforcar um preso na Penitenciária Estadual de Maringá. Rosângela, que está presa, confessou apenas ter recebido as cartas de um tal de Rodrigues.

 

Marcinho VP seria informado pela correspondência apreendida que "diversos integrantes do Comando Vermelho estariam largando o crime e abandonando o grupo" depois da instalação das UPPs em morros dominados pela facção. Já na carta remetida a My Thor, antigo chefe do tráfico no Morro Azul, no bairro do Flamengo, zona Sul do Rio, há a informação de que os membro do Comando Vermelho em liberdade enfrentar as UPPs". Segundo consta do registro policial, o "mais conveniente que o ataque seja feito de forma concentrada contra apenas uma unidade, o que já seria suficiente para abalar as demais".

 

A Secretaria de Segurança já foi informada do teor das cartas e está realizando investigações para verificar a veracidade das ameaças. O secretário José Mariano Beltrame disse que deixou claro que o maior risco não são as UPPs que correm, "mas aqueles que tentarem ataca-las". O Estado não conseguiu falar com os coordenadores do AfroReggae.

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