Em coletiva, Regueira nega acusações e condena o Executivo

O desembargador federal José Renato Ricardo de Siqueira Regueira, um dos 25 presos durante a Operação Hurricane (furacão, em inglês) realizada pela Polícia Federal e que apura um suposto esquema de exploração de jogos ilegais, negou todas as acusações que lhe foram imputadas desde sua prisão no dia 13 de abril: "Todas essas acusações são falsas, são falsas, são completamente falsas", declarou, taxativo. O magistrado, que foi o primeiro dos acusados a convocar uma coletiva de imprensa oficial para falar sobre o assunto, se diz perseguido pelo poder Executivo; afirmou ter sofrido tortura psicológica na cadeia, negou a existência de um esquema de venda de liminares; e avaliou ser contrário ao desmembramento do processo, que permitiu a soltura de quatro magistrados presos inicialmente - incluindo ele. Sobre esse último tema, o desembargador, embora tenha ressaltado que a decisão de libertar os magistrados foi uma "posição do Supremo Tribunal Federal (STF)", decisão essa que ele não teria condições de "adentrar", considerou que os acusados no processo "deveriam estar todos juntos". Quando questionado por repórteres se, em sua avaliação, os acusados, incluindo os contraventores ligados ao jogo do bicho, deveriam estar "todos juntos soltos, ou presos", Regueira foi cauteloso. "É uma pergunta difícil. Eu acho que a liberdade é um princípio fundamental. Se for para perguntar para alguém se alguém deve ser preso ou deve ser solto, acho que todo mundo deveria ser solto. (...). Eu acho que, o que se concedeu para um, deveria se conceder para todo mundo. Mas efetivamente eu não tenho nada de qualificação com relação às posições nem às acusações que existem contra os outros", afirmou. Em quase duas horas de entrevista coletiva, o desembargador deixou de responder a algumas perguntas polêmicas, alegando que algumas partes do processo correm em sigilo pelo STF. Entretanto, acusou o poder Executivo de persegui-lo com acusações falsas, e justificou essa posição alegando que era um magistrado que "não se deixava de intimidar", nem "dobrava a espinha". Quando foi questionado sobre o porquê da perseguição, afirmou que "quando o governo quer acabar com uma determinada atividade, e o Judiciário reage, o governo diz que tem esquema de venda de liminares". Ele negou que tivesse aparelho anti-escuta em seu gabinete; assim como negou a existência de uma planilha em seus pertences com uma listagem de pagamentos a contraventores do jogo do bicho. Sobre pagamentos aos bicheiros, o desembargador foi mais além: fez uma defesa dessa atividade, pelo seu viés econômico. "Eu não sou a favor dos bingos. Mas do ponto de vista jurídico, acho que não se pode incentivar uma atividade no País e simplesmente dizer depois que não pode mais existir a atividade. Isso custa para o contribuinte", disse, considerando ainda que os donos dos estabelecimentos tiveram um custo de investimento para exercer a atividade.

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 12h16

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