Em crise, búlgaros cortejam Dilma

Empresários e políticos do país natal do pai da presidente esperam que vínculo familiar ajude a impulsionar investimentos brasileiros

JAMIL CHADE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h05

Nos últimos dias, amigos mais próximos do falecido meio-irmão de Dilma Rousseff se apressaram em ir até seu túmulo, em Sófia, para limpá-lo.

No local onde está enterrado Luben Roussev, o cenário era de abandono, com o mato ganhando terreno. Mas, com a primeira visita da presidente Dilma amanhã ao país de origem de seu pai, voluntários, políticos e empresas se mobilizam para agradá-la, na esperança de convencer o Brasil a promover um "pacote de resgate" para a Bulgária, diante de sua difícil situação econômica e social.

O entusiasmo com a visita tem explicação: Dilma desembarcará com a missão empresarial mais importante que o pequeno país já recebeu nos últimos anos.

Petar Roussev, pai de Dilma, fugiu da Bulgária nos anos 30. Anos mais tarde, se estabeleceria no Brasil e formaria uma nova família. Deixou para trás uma esposa grávida de Luben, que nasceria em 1930. Nunca mais o viu e deixou mágoa na família na Bulgária ao evitar levar Luben ao Brasil para conhecê-lo, apesar dos repetidos pedidos do filho.

O contato entre Dilma e Luben foi retomado há menos de dez anos, com a presidente chegando a enviar dinheiro ao meio-irmão. Luben morreu em 2007, sem conhecer a irmã brasileira (leia texto nesta página).

Agenda. Sem poder contar com os países vizinhos, mergulhados na crise do euro, a Bulgária sonha com a conquista de investimentos brasileiros nos setores de mineração, infraestrutura e alimentos. Um seminário entre empresas dos dois lados será realizado paralelamente à visita da presidente.

Sófia já debateu com Dilma em janeiro a possibilidade de que a Embraer abra no país uma fábrica de algumas de suas peças. Nesta semana, a presidente desembarca ainda com representantes da Petrobras, da Embrapa, da Eletrobras, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da TAM e da Andrade Gutierrez.

A classe política também está preparada para se lançar em um pedido de resgate por parte da presidente brasileira. Uma delas deve ser Meglena Kuneva, candidata a presidente nas eleições em 2012. Seu nome tem dividido o Partido Socialista local. Os que apoiam sua candidatura insistem em traçar paralelos entre Kuneva e Dilma.

Em entrevista ao site Novonite, a própria Kuneva buscou a comparação. "Os brasileiros concordaram em olhar para o futuro. Por que não podemos fazer o mesmo?", disse, revelando que está lendo uma série de livros de Jorge Amado.

O primeiro-ministro, Boyko Borisov, espera também a viagem para elevar seu prestígio, abalado nos últimos meses por escândalos e um conflito étnico.

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