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Em crise, Maternidade São Paulo pode fechar neste mês

A Maternidade São Paulo pode interromper o atendimento a partir do próximo dia 30, caso uma solução para a sua crise financeira não seja encontrada.A informação foi dada pelo presidente do Sindicato dos Empregados emEstabelecimentos de Serviços de Saúde em São Paulo, José Leão de Almeida, que, nesta segunda-feira, participou de encontro com uma comissãoformada pela maternidade. "Se nada ocorrer, a idéia é restringir a entrada de novos casos, até o total fechamento."Maternidade já foi referênciaDurante anos considerada a maior maternidade da América Latina, a instituição particular, filantrópica, não lembra em nada o que foi no passado. Instalada numa região valorizada - naRua Frei Caneca, perto da Avenida Paulista -, com 270 leitos distribuídos em 10 andares, ela está às moscas.Mesmo com a carência de leitos para partos na cidade, o hospital não consegue reunir mais de um punhado de pacientes. Na última sexta-feirahavia sete mulheres internadas. No saguão principal, apenas a recepcionista e o segurança.Em busca de solução"Dizer que o hospital vai fechar já virou rotina.Estamos em busca de solução", afirma o diretor técnico da Maternidade São Paulo, Luís Antonio Pardo. Com uma dívida trabalhista que ultrapassa os R$ 20 milhões, a maternidade há vários meses paga metade do salário a seus 120 funcionários.O encarregado da manutenção, Jacevaldo da Silva, diz que esse recurso vem sendo adotado há 15 meses. "Estamos à espera de uma solução e, enquanto isso, vemos o hospital se transformar em um lugar-fantasma."Jacevaldo da Silva e seu colega Nilson Almeida da Silva lembram-se de outros tempos. "Era difícil passar na entrada, com tanta mulher barriguda, esperando a vez. Agora, só os funcionários."Recém-nascidos ilustresA crise financeira crônica da maternidade começou em 1978. Na época, as dificuldades foram atribuídas aos baixos valores repassados pela Previdência Social.Desde então, a instituição nunca mais voltou a ser considerada referência, fama que durante décadas atraiu clientes ilustres. Lá nasceram Ayrton Senna, todos os filhos do empresário Antônio Ermírio de Moraes, os políticos Olavo Setúbal e Paulo Egydio Martins.UnimedAs dificuldades agravaram-se nos anos 90, com umcontrato feito com a Unimed, cooperativa de saúde que teve intervenção decretada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. "Também houve diminuição do número de pacientes particulares e de convênios.Com o repasse pago pelo SUS, ficadifícil sobreviver", afirma o diretor. Agora a maternidade espera uma oferta de compra de parte de seu terreno. "Já foram feitas várias sondagens. Mas proposta concreta, nenhuma."Futura faculdade?A última pesquisa foi feita por um grupo interessado em usar parte do prédio para uma faculdade de medicina. A proposta formal, porém, já foi adiada várias vezes. Nesta segunda-feira, a reunião para formalizar a oferta foi novamente desmarcada.Leão, que companha as negociações, afirma que, se a oferta não for feita, a recusa de pacientes novos começará dia 30. Procurados pelareportagem para comentar a data fixada nesta segunda, diretores não foram encontrados.

Agencia Estado,

18 de novembro de 2002 | 20h27

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