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Em crise, Museu Afro Brasil fecha em SP

Atividades estão suspensas temporariamente no Parque do Ibirapuera; instituição tem dívida de R$ 200 mil e há 2 meses não paga funcionários

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

Desde sábado, o Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, está fechado para visitação. O motivo, segundo seus administradores, é financeiro: por trás da placa "temporariamente fechado" fica uma instituição que há dois meses não consegue pagar os funcionários da limpeza, a manutenção do ar-condicionado, nem mesmo os 15 educadores que atendem visitas escolares - e que, na última semana, já estavam deixando de aparecer. A dívida chega a R$ 200 mil.Os problemas financeiros - que acompanham a instituição desde a fundação, em 2004 -, no entanto, parecem estar perto do fim. Até anteontem, a instituição, administrada pela Associação Museu Afro Brasil, era mantida pela Prefeitura, em contrato com valor anual de cerca de R$ 1,8 milhão, assinado com a Secretaria Municipal da Cultura. Agora, com a assinatura de um convênio com o governo do Estado, a verba destinada ao museu aumentará mais de 15 vezes - até 2012, a instituição receberá um total de R$ 28 milhões, para reformar sua estrutura, ampliar a reserva técnica e restaurar o acervo, que conta hoje com cerca de 3 mil obras.Para sanar os problemas mais urgentes, principalmente o pagamento dos 80 funcionários, a verba prevista para 2009 é de cerca de R$ 4 milhões. Segundo o secretário de Estado da Cultura, João Sayad, os recursos serão depositados na conta da associação até o começo da semana que vem. Até lá, porém, as portas do museu devem continuar fechadas. "(O convênio) foi uma iniciativa do governo estadual, preocupado com a sustentabilidade do museu, que apresenta dificuldades financeiras patentes desde que foi fundado", explicou Sayad, em entrevista ao Estado na tarde de ontem. "Não temos exatamente uma previsão de reabertura, mas trabalhamos tanto tempo com condições mínimas que podemos falar com os funcionários para reabrir, por exemplo, neste fim de semana", disse o diretor financeiro do museu, Luiz Henrique Neves. "Podemos dizer que até sexta-feira ele fica fechado. Mas haverá uma reunião da diretoria para definir quando reabriremos."PROBLEMASAlém dos recursos municipais, a associação que administra o museu dependia, até aqui, do apoio de empresas, incentivadas por isenção fiscal promovidas pela Lei Rouanet - principalmente a Petrobrás, que destinou, anualmente, cerca de R$ 2 milhões ao museu desde a fundação. "Mas, no fim do ano passado, nosso projeto não foi aprovado pelo Ministério da Cultura e as empresas, que não teriam mais benefício fiscal, não renovaram o apoio. Então, nossa verba minguou", afirma Neves. Com gastos mensais de cerca de R$ 200 mil somente em manutenção, a direção do museu avisou os funcionários, no mês passado, que não teria condição de pagar os salários. Na sexta-feira, segundo Neves, os avisou que não precisariam trabalhar a partir de sábado e que "aguardassem um telefonema". Ao público que comparece ao museu, no Pavilhão Manoel da Nóbrega, perto do portão 10 do Ibirapuera, apenas a plaquinha na porta. "Pedimos para a empresa que atualiza o site parar o serviço", justificou o diretor financeiro.Mensalmente, entre 13 mil e 16 mil pessoas visitam o Museu Afro Brasil - por causa do fechamento das portas, no sábado, pelo menos 10 escolas públicas tiveram de desmarcar visitas. "É chato, mas isso não vai voltar a ocorrer nesta nova fase", garante Neves.Para entidades de defesa do movimento negro, o principal desafio na nova fase do museu - que se dedica, segundo definição própria, a "preservar o legado do negro na formação cultural do País" - é incluí-lo na agenda cultural da cidade. "É um absurdo ter chegado aonde chegou. Isso é reflexo do valor que a administração municipal, e a própria sociedade, dava a ele", avalia Edna Roland, coordenadora, entre 2003 e 2005, da Área de Combate ao Racismo e Discriminação da Unesco no Brasil. "Que isso mude a partir de agora."

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