Vincenzo Pinto / AFP
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Em cúpula histórica, papa Francisco diz que povo espera medidas concretas contra pedofilia

Pontífice apresentou lista com 21 propostas de medidas de punição e prevenção a abusos sexuais no meio religioso; ‘escutemos o grito das crianças que pedem justiça’, declarou

Redação, Agências internacionais

21 de fevereiro de 2019 | 06h17

CIDADE DO VATICANO E VARSÓVIA - O papa Francisco afirmou nesta quinta-feira, 21, que o “povo de Deus” espera “medidas concretas” contra a pedofilia na Igreja Católica, na abertura de uma cúpula histórica no Vaticano sobre o tema. “Precisamos ser concretos”, disse o pontífice diante de cerca de 200 líderes da Igreja Católica de todo o mundo, depois de reconhecer que “o povo de Deus nos observa e espera não óbvias e simples condenações, e sim medidas concretas e eficazes”. No evento, ele apresentou uma lista com 21 propostas de medidas de punição e prevenção a abusos sexuais no meio religioso, o que inclui mudanças na lei canônica.

O papa diz querer mudar a mentalidade dos bispos em quatro dias de debates, discursos, reuniões intercaladas com orações, mas sobretudo com os depoimentos comoventes de vítimas de abusos sexuais. “Escutemos o grito das crianças que pedem justiça”, pediu o papa ao convidar patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos e superiores religiosos a encarar a “praga dos abusos sexuais” cometidos por membros da Igreja. "Iniciemos nosso percurso armados de fé (...), de coragem e de concretização", disse ele.

"Peço ao Espírito Santo que nos ajude nestes dias a transformar este mal em uma oportunidade para tomar consciência e como purificação", afirmou. "Que a Virgem Maria nos ilumine para tentar curar as graves feridas que o escândalo da pedofilia provocou tanto aos pequenos como aos fiéis.” O dia começou com um momento de oração, seguido por um vídeo com depoimentos de vítimas e palavras de introdução do papa.

Desde que explodiram os primeiros escândalos há 35 anos, a hierarquia da Igreja Católica adotou uma série de medidas preventivas, aprovou leis, pediu desculpas e anunciou condenações, mas sem conseguir acabar com o que é conhecido como "cultura de acobertamento". As denúncias se concentram principalmente nos Estados Unidos, na Irlanda, no Chile e na Austrália, dentre outros países. 

No evento, o arcebispo Charles Scicluna, de Malta, principal investigador de abusos sexuais do Vaticano, disse que a Igreja tem que analisar como padres e bispos são escolhidos. "A questão da verificação futura de candidatos ao sacerdócio é fundamental", disse ele em um discurso centrado em detalhes legais sobre como os bispos têm que colaborar com as autoridades civis, adotando uma "cultura de divulgação" para a sociedade saber que "falamos sério".

O papa se encontrou com o polonês Michael Lisinski, que é uma vítima de pedofilia no meio católico na quarta-feira, 20. Na ocasião, ele chegou a beijar a mão do rapaz. Junto da deputada Joanna Scheuring-Wielgus, Lisinski entregou um relatório sobre a incidência de abusos na Polônia, assim como uma lista com nomes dos bispos locais que teriam tentado acobertar denúncias. Durante a madrugada, na cidade polonesa de Danzigue, três homens derrubaram a estátua do sacerdote Henryk Jankowski, recentemente acusado de abusos sexuais. O religioso morreu em 2010 e era notório por estar à frente da Igreja de Santa Brígida. /AFP, Ansa, AP e Reuters

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