Em defesa de facção, 32 vão a fórum para depor

Apenas 3 testemunhas apresentaram-se à Justiça para acusar PCC dos ataques de maio de 2006; sem Marcola, Jundiaí tem dia tranqüilo

Tatiana Fávaro, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2008 | 00h00

Das 77 testemunhas de defesa convocadas para prestar depoimento ontem em Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo, em favor de 19 acusados de participação nos ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em maio de 2006, 32 compareceram ao fórum. Além delas, outras três testemunhas de acusação estiveram presentes. Dos 19 réus, 14 foram levados de penitenciárias de Franco da Rocha e Avaré para Jundiaí, e dois acusados em liberdade, Gilson e Gelson Gomes, compareceram aos depoimentos.Considerados líderes da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, abriram mão de acompanhar os depoimentos das testemunhas de defesa. Uma das acusadas, Fernanda Vetori Maria, está foragida.O processo refere-se à morte do policial militar Nelson Pinto, durante os ataques. Os acusados já foram ouvidos em outubro de 2007, quando Marcola esteve na cidade. O advogado de Marcola, Ayrton Bicudo, disse ontem que não há provas de participação do cliente no crime. "Deveria ser investigado, sim, o modo como foram colhidos os depoimentos", disse Bicudo.O advogado Tarcísio Germano de Lemos, representante de dois réus, informou que ao menos oito presos não deveriam estar em penitenciárias de segurança máxima. Lemos pediu a transferência dos clientes para Centros de Detenção Provisória. "Tecnicamente, essa é uma prisão processual", explicou.CALMARIASegundo o capitão da PM Aloysio de Queiroz Júnior, ao menos 150 homens foram mobilizados para orientar o trânsito e garantir a segurança. O fórum teve o expediente cancelado e a Escola Estadual Conde do Parnaíba, localizada ao lado, suspendeu as aulas. "É mais por segurança, mas dessa vez a gente nem fica com medo, porque não tem Marcola. Não tem ninguém desses pesos pesados", disse o pintor Luiz Carlos de Souza, de 43 anos.O clima era de tranqüilidade. O número de pessoas nas Ruas da Imprensa, Barão de Jundiaí e Rosário, no centro, em torno do prédio da Justiça, foi pequeno perto dos 200 curiosos que se juntaram para ver o líder do PCC em outubro de 2007. "Dessa vez é diferente, ninguém sai de casa para ver preso comum. Era o Marcola", disse o auxiliar de enfermagem Diogo Cândido, de 23 anos.A coleta de depoimentos acabou às 15h30. "Viemos preparados para ficar até o anoitecer", afirmou o relações-públicas do 11º Batalhão da PM, tenente Jacintho Del Vecchio Junior.Na lista de acusados de crimes como tentativa de homicídio, homicídio, incêndios e ataques a ônibus e delegacias, tráfico de entorpecentes estão, além de Marcola e Julinho Carambola, Henrique Daniel dos Santos, o Sanguinho, Marcos Antônio Roque, o Fião, e Sérgio de Castro, o Cabelinho.Segundo o Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Organizado, nova audiência deverá ser marcada para coleta de depoimentos de outras testemunhas de defesa. Em seguida, o Ministério Público e a defesa deverão apresentar as alegações finais, para que o juiz dê a sentença, na qual pode até encaminhar os réus a júri popular.

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