Em depoimento, Abadía e Beira-Mar permanecem em silêncio

Ambos alegaram que falariam sobre acusação de achaques a funcionários do judiciário apenas em juízo

João Naves de Oliveira, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2008 | 20h56

A Polícia Federal não conseguiu respostas no interrogatório feito com Juan Carlos Ramirez Abadía e Luiz Fernando da Costa, o Fernadinho Beira-Mar. Eles foram levados do Presídio Federal de Campo Grande até a Superintendência Regional da PF, sob forte esquema de segurança e, depois de quase 11 horas de permanência no local, saíram sem dizer nada, alegando que responderão em juízo.   Veja também: Após aviso de 'colaborador', Magno Malta pede proteção policial Diplomacia e barreiras jurídicas empacam estradição de Abadía Visitas a Abadía e Beira-Mar serão monitoradas, avisa juiz   A informação é dos advogados Wellington Corrêa da Costa Júnior e Luiz Gustavo Battaglin, defensores de Abadía e Beira-Mar, respectivamente. Eles estiveram no início da noite na sede da PF, onde receberam cópias dos depoimentos, e explicaram terem instruídos seus clientes, a não responderem qualquer pergunta sobre as acusações, que segundo o Ministério Público Federal divulgou em nota, é "formação de quadrilha com a finalidade de praticar crimes diversos, entre os quais, o de extorsão mediante seqüestro".   Corrêa, disse que a única acusação que poderia cair sobre Abadia, seria formação de quadrilha, porém não está prevista punição no Código Penal, para atos preparatórios. Disse ainda, que o acusado não sabia do que se tratava, quando ficou diante dos policiais, para ser interrogado. Para Battaglin, "as acusações feitas contra Beira-Mar durante e depois da Operação X, eu só tomei conhecimento através da imprensa".   Ele explicou que não há contato entre Abadía e Beira-Mar dentro do presídio, "eles nem se conhecem". Também negou a existência de uma lista de autoridades políticas, judiciárias e policiais que seriam alvos de criminosos comandados pela dupla de narcotraficantes.   Logo depois da conclusão dos inquéritos, os policiais entregaram toda a documentação ao Ministério Público Federal. Os depoimentos terminaram nesta madrugada. Também foram ouvidos José Reinaldo Girotti - assaltante do Banco Central em Fortaleza - e João Paulo Barbosa, que a exemplo de Abadía e Beira-Mar, foram reconduzidos ao Presídio Federal de Campo Grande.   Além deles, foram ouvidos e continuam presos na PF de Campo Grande, Ivana Pereira de Sá, mãe de um filho de Beira-Mar; Leandro Oliveira dos Santos e Leonice de Oliveira, ambos presos em Nova Andradina, parentes de João Paulo Barbosa; e o advogado Vladimir Búlgaro, que representa Girotti, detido em São Bernardo do Campo.

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