Em depoimento, Beira-Mar diz que é empresário

Sob um forte esquema de segurança, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernadinho Beira-Mar, foi levado mais uma vez do presídio Bangu 1 ao Fórum do Rio para ouvir o depoimento de testemunhas arroladas no processo que apura seu envolvimento no comando do tráfico em Parada Angélica, Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Para que ele não tenha que deixar a penitenciária de novo, a Justiça decidiu ouvi-lo em processos que correm em Belo Horizonte. O aparato policial que transportou o traficante de Bangu ao centro do Rio contou com cerca de cem homens e mais de 20 carros da Coordenadoria de Recursos Especiais, do Serviço de Operações Especiais e Esquadrão Anti-Bombas, além de batedores da Polícia Militar. Policias do Batalhão de Operações Especiais escoltaram Beira-Mar todo o tempo, inclusive na sala de depoimentos. O bandido estava acompanhado do advogado Lídio da Hora que, durante um intervalo, lhe deu um beijo na testa. Por economia e segurança, três juízes tomaram o depoimento do traficante, cumprindo pedidos de carta-precatória de outra comarca. Noprimeiro, a juíza Sônia Maria Garcia Gomes Pinto ouviu o traficante no processo que o acusa de tráfico de drogas nas favelas Beira-Mar e Parque das Missões, em Duque de Caxias, que aponta envolvimento de outras 17 pessoas. Beira-Mar negou a acusação e se disse vítima de extorsão por parte de policiais, que teriam exigido R$ 150 mil para que seus familiares não fossem prejudicados. Segundo ele, as pessoas acusadas são seus amigos de infância. Ele disse que o processo foi instaurado por vingança de policiais. O traficante afirmou à juíza que um dos agentes envolvidos na época era assessor de um deputado que integrava a CPI do Narcotráfico. Quando a juíza Sônia Maria Garcia Gomes Pinto, da 1ª Vara Criminal de Caxias, perguntou a Beira-Mar sobre sua profissão, ele disse que é empresário.O segundo depoimento foi tomado pelo juiz da 14ª Vara Criminal do Rio, Marcos Henrique Pinto Basílio, e atendeu à carta precatória da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, onde corre outro processo contra Beira-Mar, por tentativa de fuga e corrupção ativa ? ele teria oferecido R$ 30 mil a um policial para que ele lhe fornecesse objetos que lhe possibilitassem fugir do Departamento de Investigação da Polícia Civil da cidade, emfevereiro de 1997. O plano de Beira-Mar foi descobeto, mas, dois meses após a primeira tentativa, o traficante conseguiu fugir. O juiz Alexandre Abraão, da 4ª Vara Criminal do Rio, também ouviu o traficante a pedido da Justiça mineira, no processo que o acusa de ter oferecido a um delegado R$ 300 mil e carros, para que ele facilitasse sua fuga de outra unidade da capital mineira. No processo referente ao tráfico de drogas na favela Parada Angélica, também são réus Adriano Pereira dos santos, o Adrianinho, Ronaldo Modesto da Silva, o Fumaça, Deocleciano Balbino da Silva, o Deo, Juliano Gonçalves de Oliviera, o Juca, e Fernando Alves Rodrigues.Uma das testemunhas de acusação, que é ex-mulher do traficante Marcos Paulo Rodrigues de Oliviera, o Fiel, ex-gerente do tráfico em Parada Angélica supostamente morto a mando, confirmou que Beira-Mar liderava o comércio de drogas na favela.Beira-mar responde a oito processos na Justiça ? seis por associação para o tráfico de drogas e dois por corrupção. Ele já foi condenado por tráfico a 12 anos de prisão, num processo que corre em Belo Horizonte, e a 20 anos num outro processo de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio.PrisãoPoliciais da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE)prenderam ontem no Morro do Turano, no Rio Comprido, zona norte, mais um integrante da quadrilha do traficante Elias maluco, suspeito de ter assassinado o jornalista Tim Lopes, no dia 2 de junho deste ano. Rogerinho do Arará, que é da facção criminosa Comando Vermelho (a mesma de Elias Maluco) foi preso depois que a polícia recebeu uma denúncia anônima por telefone. Junto com ele, foram presos mais cinco criminosos. Arará controlava o tráfico de drogas no Morro.Segundo a delegada da DRE, Marina Maggesi, foram 50 minutos de intenso tiroteio com os traficantes, numa operação que envolveu até helicópteros. Arará já tem ficha criminal pela morte de dois policiais, sendo a última no ano passado. O criminoso disse na delegacia que está em liberdade há três meses, mas a polícia ainda vai investigar a situação do traficante.

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