Em depoimento, Carla volta a negar assassinato de Ubiratan

De cabelos loiros, repicados na altura dos ombros, a advogada Carla Cepollina negou novamente ter assassinado em setembro o deputado estadual e coronel da reserva Ubiratan Guimarães, seu então namorado. Ela fez nesta segunda-feira seu primeiro depoimento à Justiça após ser acusada pela morte de Ubiratan. Ao final do depoimento, de mais de três horas ao juiz Alberto Anderson Filho, presidente do 1º Tribunal do Júri da capital, defesa e acusação pintaram duas Carlas completamente diferentes. Nervosa, hesitante e contraditória ou segura e convincente? Para o promotor Luiz Fernando Vaggione, que denunciou Carla por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima), o depoimento foi favorável à acusação. Segundo ele, a advogada caiu em contradição diversas vezes em relação às declarações que dera no Departamento de Inquérito e Proteção à Pessoa (DHPP). "Ela disse que a calça (usada no dia do crime, entregue à perícia) foi deixada na lavanderia da casa dela, que a empregada lavou a calça inadvertidamente e não deveria tê-lo feito. Anteriormente, a mãe (a advogada Liliana Prinzivalli) disse que a calça havia sido lavada porque tinha mancha de molho", exemplificou o promotor. Para o assistente de acusação, Vicente Cascione, que representa a família do coronel, a advogada "fraquejou quando se sentiu cercada". Na opinião dele, o mais grave foi Carla não ter explicado o que fez no período de mais de uma hora em que ficou na casa do coronel, entre os dois telefonemas da delegada da Polícia Federal Renata Madi, com quem Ubiratan teria um relacionamento amoroso. Segundo a perícia do DHPP, a primeira ligação, que a advogada atendeu no celular do coronel, foi às 19h03. A segunda, no telefone fixo da casa, foi às 20h26. Ainda de acordo com os peritos, foi nesse período em que o coronel foi assassinado. Para o advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende Carla, o depoimento foi muito positivo para a defesa porque ela foi segura, convincente ao negar o crime. Segundo Pacheco, o trabalho da polícia foi malfeito e deixou muitos pontos em aberto. No dia 25 de abril, começarão a ser ouvidas as oito testemunhas de acusação. Entre elas estão delegados, um filho do coronel e a empregada doméstica de Carla.

Agencia Estado,

05 Fevereiro 2007 | 21h42

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