Em depoimento de 3 horas, Daniel inocenta o irmão e se diz envergonhado

Em depoimento que começou às 14h45 e durou cerca de três horas, Daniel Cravinhos além de dizer que matou o casal Manfred e Marísia von Richthofen sozinho, deu detalhes de seu relacionamento com Suzane von Richthofen, do relacionamento dela com os pais e do crime, dizendo que era muito inexperiente e se envergonha do que fez. Suzane, Daniel e o irmão dele, Christian, confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002. Daniel disse que conheceu Suzane quando ela tinha 16 anos. A garota, segundo ele, teria perdido sua virgindade aos 14, com seu ex-namorado, com quem fazia caratê. O réu disse também que a jovem já fumava maconha antes de conhecê-lo e negou que tenha lhe dado cola ou ecstasy.As declarações de Daniel vão no sentido contrário à tese de defesa, de que Suzane teria se viciado durante o relacionamento com Daniel, de quem teria ficado escrava psíquica por tê-lo como primeiro amante. A defesa da jovem diz ainda que Suzane dava dinheiro a Daniel, o que o jovem também negou, reforçando que trabalhava desde os 14 anos e que, na época do crime, tinha um salário de R$ 2,5 mil e não precisava do dinheiro da jovem. Daniel se recusou a responder, sob orientação de seu advogado, Geraldo Jabur, a maioria das perguntas feitas pelo advogado da defesa de Suzane, Mauro Nacif, sendo a maioria delas sobre o namoro dos dois. Nacif insistiu em perguntas sobre o uso de drogas e o relacionamento sexual de Suzane e Daniel. Quando a defesa de Daniel teve a palavra, a advogada Gislaine Jabur repetiu algumas das perguntas feitas pela defesa de Suzane com o objetivo de esclarecer alguns pontos, como a questão das drogas. Daniel então revelou que Suzane já fumava maconha antes de conhecê-lo e negou que tenha lhe dado cola ou ecstasy.Christian inocentePrimeiro dos réus a prestar depoimento, Daniel admitiu que matou os pais de sua então namorada sozinho. Seu irmão Christian teria entrado no quarto do casal, mas ficou nervoso e passou mal no momento do ataque, não ajudando Daniel a matar Manfred e Marísia. Até então, acreditava-se que Daniel teria tido a ajuda do irmão para dar os golpes que mataram o casal. Porém, Daniel contou que deu os golpes sozinho, primeiro em Manfred e depois em Marísia.Daniel disse também que sempre freqüentava o sítio da família Richthofen e que os pais de Suzane não eram contra o namoro, mas que começaram a brigar com a filha após uma viagem que ela teria feito sozinha com o namorado. Segundo Daniel, Suzane sempre quis matar os pais, pois Manfred batia nela com freqüência, além de abusá-la sexualmente. Daniel garantiu que matou o casal a mando de Suzane e que Andreas, irmão mais novo da jovem, não sabia do plano.O juiz determinou um intervalo de 20 minutos para que os jurados façam um lanche. Na seqüência, será ouvido o depoimento de Christian Cravinhos.MentiraPara Mário Sérgio de Oliveira, um dos advogados de Suzane a declaração de Daniel Cravinhos de que apenas ele participou do assassinato de Manfred e Marísia é uma estratégia da defesa dos irmãos Cravinhos. "É uma estratégia para que um seja condenado e o outro não. Ele pode falar o que ele quiser. Ele pode mentir à vontade porque ficou bem claro durante o interrogatório dele que ele mentiu", afirmou o advogado. Sobre a afirmação de Daniel Cravinhos de que Suzane já usava drogas antes do início do namoro, Oliveira disse que acha "estranho". "Antes de ela conhecer o Daniel, ela tinha 13, 14 anos e ele já tinha 18, 19 anos. Veja a probabilidade de quem deveria ter conhecido a droga primeiro". O advogado de Suzane rebateu as declarações de Daniel Cravinhos de que ela demonstrava a intenção de matar os pais desde o primeiro ano de namoro porque o pai a maltratava e abusava dela sexualmente. "Acho que é mais uma tese para tentar justificar um ato bárbaro que ele teve", finalizou. CrimeSuzane, seu ex-namorado Daniel e o irmão dele, Christian, confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.Ampliada às 18h16

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