Em dez anos, número de carros na capital cresceu mais do que população

O nome São Paulo, nos últimos dez anos, emplacou mais veículos do que passou a designar local de nascimento ou lar para novos moradores. "Vamos parar literalmente na rua, congestionados", diz o urbanista Cândido Malta, para quem uma das saídas para o futuro deverá ser o pedágio urbano.A preferência pelo transporte individual, perceptível em qualquer início de manhã e fim de tarde nas ruas, se expressa em números. De 1999 a 2009, a capital se tornou residência de mais 1 milhão de pessoas. Já a frota emplacada na cidade saltou 1,7 milhão. A disparidade ocorre no mesmo período em que o rodízio municipal de veículos, que restringe a circulação de carros nos picos da manhã e da noite, foi implementado, com o objetivo de reduzir os congestionamentos.Por ano, o trânsito paulistano causa um prejuízo de R$ 33 bilhões, conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. Dividindo esse total entre os 11 milhões de habitantes, o custo por pessoa é de R$ 12 por dia - o equivalente a mais de cinco vezes a tarifa dos ônibus paulistanos. "O brasileiro é um embasbacado por carros. Estou convencido de que a população não vai deixar o carro nem com transporte coletivo de qualidade", diz Malta. O jeito é pegá-lo pelo bolso (com o pedágio urbano)."A situação preocupa a Prefeitura. No adensamento das regiões centrais, mais especificamente no entorno da rede sobre trilhos, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, afirma que é necessário se povoar áreas sem estimular o transporte individual. Para exemplificar, o secretário citou que é possível se "pensar em empreendimentos imobiliários com uma política diferenciada em relação à garagem".

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