Ademir Almeida/DiárioMS
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Em Dourados, tumulto e sapatada na Câmara

Auxiliar administrativo acertou rosto de vereador com sapato em sessão que marcou a volta de parlamentares acusados de corrupção

João Naves de Oliveira, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

Agressões físicas e verbais marcaram ontem a sessão da Câmara Municipal de Dourados (MS). Pelo menos 300 pessoas se comprimiam num espaço suficiente para 200, quando um sapato atirado do plenário acertou o rosto do vereador Aurélio Bonato (PDT), que presidia a sessão. O ataque foi seguido de vaias e gritos de "pega ladrão" e "fora daqui".

O agressor, imediatamente identificado, foi o auxiliar administrativo da prefeitura Adailton Castro de Souza, de 35 anos. Ele explicou não ter suportado ver três dos nove vereadores presos por corrupção no dia 1.º deste mês "no lugar onde nunca mais deveriam estar". Depois desabafou: "Eu tenho uma filha com um nódulo na garganta, aguardando consulta médica, e esse bando rateando dinheiro da saúde pública para o próprio bolso."

A seção foi encerrada e adiada para segunda-feira, por falta de segurança. Um pelotão de choque da Polícia Militar, portando cassetetes e escudos, protegeu os parlamentares até saída do prédio.

Enquanto isso, do lado de fora, houve princípio de tumulto, com dezenas de pessoas forçando a entrada, para assistir ao que seria a primeira sessão ordinária da Casa, depois da desarticulação de um esquema de corrupção.

O esquema foi desmontado este mês durante a Operação Uragano, desencadeada pela Polícia Federal. Na ocasião foram presos 28 acusados, entre eles o prefeito Ari Artuzi (PDT), o vice-prefeito, a primeira-dama, 9 vereadores e 5 secretários. Ontem, a PF concluiu o inquérito sobre o caso, indiciando 60 pessoas, e remeteu o processo ao Ministério Público Estadual, para a formulação das denúncias.

Nos autos do processo, consta que o prefeito é o principal indiciado por formação de quadrilha, corrupção e direcionamento de licitações públicas. O acusados estão diretamente envolvidos nas propinas pagas por construtoras, prestadores de serviços e fornecedores, favorecidos em concorrências públicas fraudulentas. O setor mais prejudicado é do da saúde pública, conforme as acusações.

Propina. Cada vereador e secretário municipal recebia em torno de R$ 170 mil por mês com as fraudes e o prefeito, R$ 500 mil. Eles também são acusados pelas indicações e nomeações de funcionários fantasmas. Ontem o Diário Oficial do Município publica o nome de 130 desses servidores, que exerciam cargos de confiança, mas nunca compareceram ao trabalho. O prefeito interino, juiz Eduardo Machado Rocha, informou que esse é o primeiro grupo que estava em condição irregular a ser demitido.

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