Em DP com 50 condenados, detentos fazem greve de fome contra lotação

Os 71 presos da carceragem do 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, zona leste de São Paulo, decretaram greve de fome há três dias por causa da superlotação das celas. Eles reivindicam transferência para Centros de Detenção Provisória (CDPs) e presídios da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Segundo a Polícia Civil, 50 presos já condenados ocupam duas celas da ala esquerda da carceragem. Cada uma tem capacidade, no entanto, para oito pessoas.Esses presidiários deveriam cumprir pena em prisões de regime fechado ou semiaberto. Alguns estão no 63º DP desde julho do ano passado. A SAP foi questionada sobre a previsão de transferência dos detentos, mas, até o fim da tarde de ontem, o órgão não havia retornado à reportagem.Na ala direita da carceragem estão confinados outros 21 detentos. Eles foram presos em flagrante e deveriam ficar no máximo três dias no local, de passagem, aguardando remoção para algum CDP. Esses detentos ocupam duas celas. Em cada uma cabem quatro pessoas.Alguns detentos estão doentes. São portadores do vírus HIV e de tuberculose e necessitam de atendimento médico adequado. Mulheres e mães dos presidiários estão apreensivas e preocupadas. Na manhã de ontem, mães amamentavam seus bebês enquanto aguardavam notícias sobre a situação na carceragem. Algumas disseram que a visita foi proibida. Policiais civis alegaram que os presos ameaçam se rebelar.O padre Valdir João Silveira, da Pastoral Carcerária, visitou os presos anteontem. De acordo com ele, a situação é desumana. Os presos não têm banho de sol. Parentes contaram que a água foi cortada, em dias de calor. Na terça-feira, a juíza Luciana Leal Junqueira Vieira, do Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária (Dipo), esteve na carceragem e se reuniu com uma comissão formada por quatro presos. Eles afirmaram que a situação é calamitosa e se queixaram da superlotação.A juíza prometeu tomar as medidas necessárias, mas ressaltou que remoções dependem da SAP. Os presidiários disseram que não iriam permitir mais a entrada de novos presos. Após o encontro, os presos decidiram entrar em greve de fome.

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