Em enredo sobre sindicatos, PT e CUT desfilam na Tom Maior

A primeira escola falou do aço, a segunda da tinta, a terceira a entrar na passarela do sambódromo do Anhembi prometia uma homenagem à construção civil. Mas, o que se viu no desfile da Tom Maior, na madrugada deste sábado, foi uma referência à luta dos trabalhadores e dos sindicatos na história do Brasil, com 3,5 mil componentes, 23 alas, cinco carros alegóricos e 280 ritmistas. Com o enredo "Com licença, eu vou à luta", a agremiação pediu salários mais altos e fez do PT e da CUT as estrelas do seu desfile. A central de trabalhadores ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos patrocinadores do carnaval da escola e, por isso mesmo, teve direito a carro alegórico vermelho, com boneco barbudo e tudo mais. Falando em PT, o carro "A Força do ABC" estava repleto de companheiros petistas, a maioria integrantes da CUT. Destaque para o senador Eduardo Suplicy (PT) e sua namorada, a advogada Mônica Dallari. "Foi um convite dos amigos da CUT", disse o senador - que estava aprendendo o samba-enredo da agremiação momentos antes de entrar na avenida. O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (que já foi presidente da CUT) também estava no carro. Um integrante da escola foi atropelado pelo carro. Encaminhado ao posto médico, Michel Motta, de 26 anos, foi diagnosticado com trauma no abdômen e removido ao Hospital do Mandaqui. Logo no início do desfile da Tom Maior, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), apareceu na própria passarela do samba e observou a chegada do carro abre-alas da escola. Questionado se ele teria alguma escola do coração, Serra disse: "Tenho, mas não revelo". O tucano aproveitou para acenar e cumprimentar o público. Recebeu em troca acenos, mas também gestos obscenos. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, vieram em seguida, com uma grande comissão de assessores atrás dos políticos. O grupo ficou na parte onde a bateria faz o recuo e quase foi atropelado pela escola. Eles precisaram abandonar rapidamente o local para não prejudicar o desfile da Tom Maior. Os carros alegóricos e as fantasias estavam bem aquém as apresentadas pela escola anterior, a X-9 Paulistana. Pedaços da fantasia do segundo casal de mestre salas e porta-bandeira ficaram pela avenida. O primeiro carro alegórico da escola era o de maior impacto. Todo prateado, com dois robôs gigantes com a cabeça e os braços se movimentado e cheio de computadores usados, maquetes e brinquedos prateado em volta. A comissão de frente levava nas mãos carteiras de trabalho e estavam acorrentados a uma espécie de andaime, formando um cenário tosco. O segundo carro alegórico questionava a importância do tempo para a ação do homem - uma mensagem filosófica do tipo: para que trabalhar tanto?, utilizando como alegoria vários despertadores, aqueles modelos tipicamente vendidos por camelôs no centro de São Paulo. Outra alegoria que chamou a atenção no desfile da Tom Maior foi o carro que fazia alusão ao período de repressão das lutas de classe no País e no mundo. O único problema é que os carnavalesco utilizou um tanque de guerra, uma prisão e uma fogueira para retratar as lutas e fez uma confusão de imagens para quem assistia ao desfile. O carnavalesco Marco Aurélio Ruffin adotou materiais pouco usados no carnaval para fabricar alegorias e fantasias, como canudos de plástico, prendedores de roupa, esponjas de aço e espirais de caderno, o que dava um ar "escolar" ao trabalho apresentado na avenida. BRUNO PAES MANSO, FABIANO RAMPAZZO e GILBERTO AMENDOLA

Agencia Estado,

17 Fevereiro 2007 | 02h32

Mais conteúdo sobre:
carnaval carnaval 2007

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.