Em eventos do 1º de Maio bancados por estatais, Lula faz discurso pró-Dilma

Sempre ao lado da ex-ministra, ele fala em dar sequência ao atual governo, defende projeto que reduz a jornada de trabalho e até chora

Adriana Carranca, Wellington Bahnemann e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2010 | 00h00

Em três eventos de comemoração ao Dia do Trabalho, organizados em São Paulo por centrais sindicais e patrocinados em parte por estatais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a continuidade de seu governo e promoveu indiretamente a candidatura da petista Dilma Rousseff.

"Quando eu deixar a Presidência, vou mandar registrar em cartório tudo o que fiz (...), porque quero que quem venha depois de mim - e vocês sabem quem eu quero - saiba que vai ter de fazer mais e melhor", disse Lula, pela manhã, na festa promovida pela Força Sindical e pela Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).

No início da noite, em evento promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), ele voltou à carga. Depois de destacar realizações de seu governo, disse que não é possível "mudar, em oito anos, 500 anos de desigualdade". "É preciso mais tempo, mas com sequenciamento", afirmou. Logo a seguir voltou-se para a correligionária: "Dilma, você ouviu o que eu disse?"

Após as manifestações do presidente, líderes da oposição afirmaram que ele está fazendo campanha antecipada e que o caso será levado à Justiça Eleitoral. Os oposicionistas também contestaram o patrocínio estatal a eventos que, segundo eles, viraram palanques para Dilma (leia texto na página A9).

Nos discursos, o presidente destacou ganhos dos trabalhadores nos últimos anos e apoiou o projeto de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, atualmente a principal bandeira de centrais como a CUT e a Força Sindical.

"Houve um tempo em que homens e mulheres trabalhadores tinham jornada de 16 horas", disse. "Hoje estamos comemorando a jornada de oito horas e comemorando o projeto de redução para 40 horas semanais, para que a gente possa colocar mais gente no mercado de trabalho."

Pela manhã, em um palanque com os logotipos da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e da Petrobrás, além de empresas privadas, Lula previu que seria apontada como "política" a sua primeira participação, como chefe de governo, no evento das centrais. "Alguns vão dizer que é político, porque não vim nos outros anos do meu governo. Mas os outros que vieram não foram considerados políticos."

À noite, o presidente chegou a chorar ao dizer que aquela seria sua última participação, como presidente, em um ato de trabalhadores. Dirigindo-se ao presidente da CUT, Artur Henrique, fez um pedido: "No próximo 1º de Maio, me convide, porque, se tiver alguém ruim na Presidência, a gente vem aqui meter o pau neles, mas, se for alguém bom, a gente vem aqui cumprimentar".

Sem citar nomes, disse que os adversários estão "preocupados" com seu legado. "Depois de mim, quem vier vai ter de trabalhar muito, porque o povo aprendeu a cobrar." Nesse momento, o público começou a gritar o nome de Dilma. Lula continuou: "A legislação não me deixa falar de candidatos, só posso falar de candidato depois de julho."

A pré-candidata, sempre ao lado do presidente, fez discursos elogiosos a ele. Lembrou que foram gerados 12.4 milhões de empregos com carteira assinada em sete anos e previu que, até o fim deste ano, outros 2 milhões serão criados. "Com isso, 24 milhões de brasileiros saíram da miséria e outros 31 milhões ascenderam à classe média."

Lula comentou o fato de ter figurado na lista da revista americana Time dos homens mais influentes do mundo. "A elite brasileira dizia que eu não sabia governar e que eu não falava inglês. Eu não tenho inglês, mas tenho coração e consciência pelo povo brasileiro", frisou.

Em outro momento, voltou a mencionar a revista indiretamente. "Meu legado não vai ser um sucessor, mas colocar na cabeça do trabalhador a consciência de que vocês podem. Se eu, com diploma só de torneiro mecânico, sou hoje o presidente mais reconhecido do mundo, vocês também podem."

Ao falar de política externa, disse que o Brasil "não pode mais achar que é pior que os outros, como pensa essa elite subalterna que governou o País".

Patrocínios. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse que empresas estatais contribuíram com algo entre R$ 700 mil e R$ 800 mil para viabilizar o evento (leia texto abaixo).

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, disse que a festa promovida por sua central e por outras duas entidades custou R$ 1,5 milhão e que cerca de 25% desse total foi custeado por estatais.

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