Em falso seqüestro, mãe não reconheceu voz de filho

A Polícia Militar conseguiu evitar na madrugada de quinta-feira, 22, o golpe do seqüestro por telefone na zona oeste de São Paulo. Durante patrulhamento pelo bairro da Lapa, policiais militares foram acionados por vigilantes informando que uma moradora conversava, pelo telefone celular, com indivíduos que alegavam ter seqüestrado seu filho. Era a aposentada Joselma, de 63 anos, que falava com o filho Marcos, de 31. - Mãe, sou eu, disse Marcos. - Onde você está? - Em casa. - Não pode ser. Você estava gritando, chorando, sendo espancado. Ela queria embarcar para o Rio e não deu bola para a ligação. Marcos estava com policiais militares que foram acordá-lo em casa para provar à mãe que ele estava bem. Não teve jeito. Ele embarcou na viatura e foi levado pelos PMs ao Aeroporto de Congonhas. O analista de sistemas contou sua história no quartel do Comando Geral da Polícia Militar. Sua presença ali demonstrava a importância que o golpe do falso seqüestro ganhou para a polícia. São raríssimos os casos em que o Comando Geral resolve se manifestar. A história de Marcos começou à 1 hora, quando Joselma atendeu a um telefonema a cobrar em casa. ?Mãe, mãe, eu tô seqüestrado. Me ajuda!!!? A aposentada não teve dúvida: era a voz de seu filho. Em seguida, o falso seqüestrador apareceu. Com forte sotaque carioca, dizia: ?Olha só, nós vamos matar o seu filho.? O bandido exigiu US$ 30 mil para libertá-lo, o equivalente a R$ 62,4 mil. ?Seu filho disse que tem dólar e dinheiro aí na casa.? Joselma não tinha. Mandaram que ela fizesse transferência bancária pela internet. Ela disse que não sabia usar a rede. O criminoso não desistiu. Teve, então, a idéia de mandá-la reunir o que tivesse de valor em casa - jóias e dinheiro - e apanhar um avião para o Rio. Lá, a vítima ia receber instruções para entregar o resgate. Joselma bem que tentou achar o filho, mas o analista de sistemas, que não tem telefone em casa, esquecera o celular horas antes num shopping - o aparelho só dava caixa postal. Quando a aposentada se preparava para sair da casa, um vigia da rua desconfiou de algo errado e telefonou para o 190. Antes que obtivesse uma resposta, ele apanhou sua bicicleta e foi à sede do 4º Batalhão da PM. Policiais foram à casa da aposentada, mas ela não quis atendê-los. O desespero falava mais alto. Os PMs apanharam com a empregada o endereço do filho e uma equipe foi até a Vila Madalena, onde ele mora, enquanto a aposentada, que não lhes quis dar ouvidos, seguiu em direção ao Aeroporto de Congonhas. ?A gente dizia que era golpe, mas ela não acreditava?, disse o tenente Alexandre Paulino Vieira. Joselma chegou às 4h30 no aeroporto. Só não embarcou porque não havia vôo. Marcos chegou às 5h10. Joselma chorou e foi atendida no posto médico do aeroporto. O golpe falhara.

Agencia Estado,

23 Fevereiro 2007 | 12h58

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