Em funeral, políticos criticam governo pela crise aérea

Em velório de deputado Júlio Redecker, tucanos também repudiam gestos obscenos de assessor do governo

Marcelo Auler, do Estadão,

20 Julho 2007 | 21h28

O velório do deputado federal Júlio Redecker (PSDB-RS), que morreu no acidente com o vôo 3054 da TAM, serviu de palanque para políticos criticarem o governo pela crise aérea e pelo gesto obsceno feito na quinta-feira, 19, pelo assessor especial de Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, enquanto assistia à reportagem do Jornal Nacional que revelou que um dos reversos do avião havia sofrido uma pane dias antes do acidente.   Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054   O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), classificou como "gesto com certo desdém" o episódio envolvendo o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Para Aécio foi "algo grave que chocou a todos no íntimo da alma".   "Isso é algo que nos constrange como cidadãos brasileiros. Não é hora de nos preocuparmos com o desgaste político eventual sobre este ou aquele agente público. É hora da consternação, de sermos sobretudo cidadãos que sentem e sofrem", declarou o governador mineiro.   Ele disse acreditar que "o presidente da República tem sentimentos e sofre também, mas, infelizmente, esse gesto vai na direção inversa", disse.   Falando sobre a crise aérea, o governador de Minas Gerais declarou que "todos nós, brasileiros, nos sentimos um pouco órfãos neste momento de uma atitude um pouco mais firme e solidária do governo, que transparecesse uma maior solidariedade para com a gravidade do que ocorre".   Pelo entendimento de Aécio Neves, a crise aérea não está sendo gerenciada da forma como deveria ser "com estratégias, objetivos claros e com medidas que ultrapassem até mesmo questões hierárquicas do ponto de vista das forças armadas". Ele disse que há muito tempo defende a tese que o espaço aéreo brasileiro deve ser controlado "como acontece em todo mundo, salvo raríssimas exceções, por civis e não por militares".   Aécio reclamou do que chamou de inoperância do governo e disse não ter visto "ações concretas que permitam aos brasileiros, não superar a crise de um dia para o outro, mas perceber que estão sendo tomadas decisões, que nos levarão a ter tranqüilidade quando voarmos pelo Brasil."   Ao concluir, o governador tucano voltou a alfinetar o governo federal. "É preciso que a partir daí tenhamos esperança de que haja comando, haja decisão, estratégia e coragem para se tomar as medidas necessárias para o enfrentamento da maior crise do setor aéreo na história. Não estou aqui para acusar A ou B. Estou aqui para me despedir do meu amigo Julio Redecker e consternado como qualquer cidadão brasileiro com o que aconteceu com estas 200 famílias que choram os seus mortos ou seus desaparecidos."   O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi mais enfático na crítica contra o governo. "Diante dessa crise aérea, estamos vendo que falta autoridade", afirmou. Segundo ele, na medida em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "deixa o tempo passar e não toma providência, ele está assumindo a responsabilidade pelo caos".   Simon também criticou duramente o assessor de Assuntos Internacionais do governo, Marco Aurélio Garcia, pelo gesto exibido pela TV Globo. "É uma agressão à sociedade brasileira. O mínimo que ele pode fazer é se afastar imediatamente, ou o Lula chamar e mandá-lo fazer uma dessas viagens internacionais."   Para Simon, a crise começou há dez meses com o acidente da Gol e até agora não parou. "Ora colocam a culpa no encarregado do vôo, ou dizem que foi de não sei quem. O governo não fez nada. Em Congonhas, fizeram uma reforma enorme, mas deixaram a pista para o fim. O Lula, pelo jeito, está com dificuldades de fazer coisas singelas", disse o senador. "Não é verdade que o governo não é culpado. O que se pode discutir é o percentual da culpa", concluiu.   O ministro da Justiça, Tarso Genro, que também compareceu ao velório, esquivou-se de comentar o assunto, que, segundo ele, só diz respeito ao assessor especial e ao seu superior, o presidente da República.

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