Em greve, policiais civis soltam presos em Teresina

Em greve há 48 horas por melhores salários e pela implantação de um plano de cargos, os policiais civis de Teresina resolveram, em protesto, soltar a maioria dos presos e fechar vários distritos. Em alguns distritos os grevistas esvaziaram os pneus das viaturas ou trancaram as portas das delegacias e sumiram com a chave. O governador do Piauí, Hugo Napoleão (PFL), em nota ao público, disse que o estado não vai aturar a baderna e desordem na greve da polícia. " O Governo do Estado respeita a liberdade de manifestação. Entretanto, não admite o abuso no exercício deste direito", diz a nota.O comando de greve decidiu paralisar as atividades em todos os Distritos da capital, atendendo apenas aos casos que envolvam homicídio. "Até que o governo e os deputados resolvam nos ajudar vai ser assim. Não dá para continuar trabalhando sem salários e sem condições", disse o presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Agentes Penitenciários, Constantino Júnior. Os policiais ainda fizeram manifestação em frente a Assembléia Legislativa, pressionando os deputados estaduais para votar o plano de cargos e salários. Eles pararam as delegacias especializadas e distritos policiais da capital. "Tais procedimentos são abusivos e ao convocar a greve, as lideranças dos policiais descumprem o acordo estabelecido com o governo do Estado. Em nenhum momento, a urgência na apreciação do Projeto de Lei na Assembléia Legislativa fez parte do acordo. O Poder Legislativo é independente e necessita de prazo legal e regimental para apreciar as matérias. Por outro aspecto, o Projeto de Lei entraria em vigor apenas no próximo ano, sendo injustificável a urgência", reagiu o governador. Os agentes penitenciários, que também decidiram aderir ao movimento, marcaram para amanhã quinta-feira, 27, um protesto em todos os presídios do Estado. A categoria ameaça abandonar os postos que ocupa na segurança desses estabelecimentos penais. Por conta da pressão dos grevistas, o governo resolveu retirar o projeto que havia encaminhado à Assembléia. "Não vamos permitir o império da desordem como meio de pressão", reagiu o governador Hugo Napoleão.

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