Em Itajaí, 100 mil m³ de lixo estão nas ruas

Prefeitura autoriza retirada de entulho por usina de asfaltos, olarias e fábricas de cerâmica

Eduardo Nunomura, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2008 | 00h00

O lixo vem se acumulando nas ruas de Itajaí e não há meios suficientes para recolhê-lo. A estimativa é de que no município a enchente tenha gerado 100 mil metros cúbicos de entulho, o que encheria 10 mil caminhões. Por falta de funcionários, porque muitos foram vítimas das chuvas, até ontem só estavam operando três de 20 caminhões da prefeitura e da concessionária de limpeza. Faltam locais para destinar a sujeira e, sem alternativa, moradores começam a queimar o que perderam.Por causa da enchente, uma das células do aterro sanitário, que recolhe o lixo orgânico, teve seu acesso dificultado. E a outra está com a capacidade esgotada.Existem três terrenos para receber o entulho, dois que recebem o material das ruas e um que foi adaptado para servir de destinação final dos escombros. A prefeitura de Itajaí vai autorizar que a usina de asfaltos, as olarias e fábricas de cerâmicas, que precisam de madeira para aquecer os fornos, recolham o entulho desse último local.O motorista Luiz Cesar Meriz, de 38 anos, e Eleni Mello, de 40, passaram o domingo entulhando o que foi destruído. Contavam com a ajuda dos filhos Luiz Henrique, de 9, e Luiz Vinicius, de 6, além dos primos deles - Luana, de 9, e João, de 3. Eles levavam as roupas e os móveis destruídos para o quintal, e as crianças, para a pilha de lixo. "Não podemos deixar acumular, porque tem muitos ratos, há o risco de doenças", disse Eleni. No sábado, o caminhão de lixo foi até uma ponte que dá acesso ao seu bairro, mas recuou. Faltava segurança. Na sua casa, a água subiu até a uma altura de 3 metros. O imóvel já tem uma elevação de 1 metro, que foi capaz de evitar a enchente de 1983. Tanto que, desta vez, achavam que a cheia viria, mas os móveis se salvariam. Tiveram de pedir ajuda de um vizinho para resgatá-los.Na zona rural, urubus perambulam - sinal de que há animais apodrecendo nos pastos. Na fazenda de Manoel Pereira, 650 cabeças de gado morreram afogadas - só restaram vivas cerca de 20. Segundo o superintendente da Fundação de Meio Ambiente de Itajaí, Fabricio Estevo da Silva, a prioridade inicial era salvar vidas, mas agora já se iniciou a fase de salvar a saúde das pessoas. "Precisamos evitar uma endemia. Os animais estão em estado avançado de putrefação e o risco de contaminar o lençol freático existe."

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