Em Jundiaí, aeroporto vazio espera ministro

Depois de ser surpreendido com a informação de que inspetores norte-americanos desembarcariam no Brasil para fazer uma fiscalização na pista de Congonhas, o ministro da Defesa Nelson Jobim não apenas mandou cancelar a tal inspeção internacional como também avisou que irá pessoalmente fazer uma vistoria geral nos aeroportos de São Paulo. No próximo sábado, ele irá inspecionar os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Jundiaí, que podem receber grande parte da aviação geral retirada de Congonhas.Pelo menos em Jundiaí, a 60 quilômetros da capital, Jobim irá encontrar um aeroporto fantasma. A grelha da lanchonete, por exemplo, não tem um único sinal de gordura. As cadeiras de couro sintético preto do saguão de embarque parecem apenas acumular poeira. Restaurante executivo, estacionamento com 50 vagas, saguão de embarque... tudo vazio, quieto como uma igreja.Distante da área urbana de Jundiaí, o Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro recebe cerca de 600 passageiros por mês, segundo dados do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp). Tem oito hangares ocupados por empresas de táxi aéreo e oficinas de manutenção, e outros três estão em construção. As aeronaves ''''da casa'''' são maioria, já que boa parte dos pousos e decolagens que acontecem na pista de 1,4 mil metros é feita por aviões do aeroclube que opera no aeroporto. ''''Temos cerca de 120 procedimentos por mês, principalmente de manhã e de tardezinha'''', diz o diretor Rinaldo Tadeu Rosa. ''''Não é muito, por isso o espaço físico é limitado. Mas se tivermos mais aviões para pousar aqui, claro que dá para ampliar a área do aeroporto.''''Apesar de toda essa tranqüilidade, Comandante Rolim Adolfo Amaro é o aeroporto que mais movimenta carga entre os 33 aeroportos do interior administrados pelo Daesp - em média, são 10 toneladas por mês. Ainda assim, para servir de alternativa segura à aviação executiva, Jundiaí precisaria de investimentos para atender à nova demanda. Hoje, por exemplo, o controle de pousos e decolagens é feito totalmente pelos próprios pilotos. Sem a ajuda de uma torre de controle ou mesmo de equipamentos de meteorologia, eles são obrigados a coordenar o uso da pista uns com os outros. Não é preciso nem mesmo pedir autorização para utilizar a pista.

Rodrigo Brancatelli e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2007 | 00h00

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