Em Limeira, festival do circo reúne 380 artistas

O palhaço e trapezista Aridi Alves Dias Junior, de 36 anos, nasceu, cresceu e fez família no circo. Tem cinco filhos, com idades entre 11 e 18, e que integram a sétima geração do Circo Fantástico, de Jaguariúna, interior de São Paulo. O grupo carrega a tradição da época em que os circos viajavam com as mulheres e crianças em carros de boi e homens, a pé. Era o século 19, época do tataravô do pai de Aridi, que tem o mesmo nome, 78 anos e ficou conhecido por Maluco por entrar nas jaulas de animais sem chicote, cadeira, nada nas mãos, em apresentações no Brasil, nos Estados Unidos e na Romênia. "A gente acorda cedo, treina quatro horas por dia, dorme tarde. E se diverte", afirma Aridi Junior.Circos tradicionais como o Fantástico são apenas parte da programação da segunda edição do Festival Paulista de Circo, que começa hoje e vai até domingo em Limeira. O encontro vai reunir 380 artistas em 95 atrações para idosos, adultos, jovens e crianças. São esperados 30 mil visitantes, 12 mil a mais do que na primeira edição, realizada no ano passado."A ideia de fazer o evento surgiu de duas coisas: da vontade de quebrar o preconceito de que o circo é coisa velha e da aposta em criar eventos que entrem para o calendário cultural de São Paulo", afirmou o coordenador da Unidade de Fomento e Difusão da Produção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, André Sturm. Além disso, o festival pretende fazer uma ponte entre o tradicional e o que há de mais moderno na arte circense, dar a oportunidade de artistas trocarem experiências e divertirem um público diverso.A programação passeia entre vertentes do circo tradicional, contemporâneo, circo teatro, grupos, trupes, artistas independentes e oferece gratuitamente palestras que visam ao aprimoramento do artista.Os espetáculos da programação diária que vai das 10 às 22 horas (veja no site www.cultura.sp.gov.br) têm entrada gratuita. O festival será realizado em frente à hípica de Limeira, na Via Antonio Cruanes Filho, sem número. O espetáculo de abertura, marcado para as 20h de hoje, é dirigido pelo palhaço Hugo Possolo, do grupo Parlapatões. "É uma ponte entre o tradicional e o que veio depois dos Parlapatões", diz Possolo.Limeira foi escolhida como cenário por ter um dos principais pontos de referência do circo no Brasil: o Largo do Paiçandu. Ali, no fim do século 19, eram armados os "circos de cavalinho". No início do século 20, as temporadas dos circos Alcebíades e Irmãos Queirolo marcaram momentos áureos da história circense, com o surgimento do palhaço Piolin. No local está sendo construído o Centro da Memória do Circo, o primeiro da América Latina.

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