Em livro, Francisco defende misericórdia e abertura da Igreja

Pontífice reitera que há lugar para homossexuais e divorciados; obra foi lançada em 20 idiomas, incluindo o português

O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2016 | 21h52

O papa Francisco defendeu uma Igreja menos rígida e aberta a todos, incluindo homossexuais e divorciados, em um livro-entrevista lançado nesta terça-feira, 12, em 86 países. A obra tem por base questionamentos feitos pelo vaticanista italiano Andrea Tornielli. O Nome de Deus É Misericórdia foi traduzido em 20 idiomas, incluindo espanhol e português. 

Em uma narrativa clara e com linguagem simples, o chefe da Igreja Católica não foge de temas espinhosos, como homossexualismo, casamento de divorciados e corrupção, mas destaca assuntos religiosos como confissão, pecado, perdão e reconciliação e, sobretudo, misericórdia - palavra com a qual pretende abertamente identificar seu pontificado.

No texto, Francisco confessa que se sente antes de tudo um “pecador” e, a partir disso, busca transformar uma instituição milenar. “A Igreja não existe no mundo para condenar, mas para favorecer o encontro com esse amor visceral que é a misericórdia de Deus. Para que isso ocorra, tem de estar ‘em saída’. É preciso sair das igrejas e das paróquias”, afirmou, reiterando uma questão clara, quase um lema de “gestão”, presente em obras anteriores - Evangelii Gaudium e Laudato Si’.

Outras frases se repetem, como “Quem sou eu para julgá-los?”, em relação aos homossexuais - dito inicialmente após a visita ao Rio. Tornielli insiste na questão e no fato de Francisco ter sido confessor de homossexuais. “Eu prefiro que venham se confessar, que permaneçam perto de Deus, que possamos rezar juntos.” 

Francisco ainda relata exemplos da vida sacerdotal, incluindo o caso de uma sobrinha que se casou só no civil, antes de que seu marido obtivesse a nulidade matrimônio anterior - outro tema que divide a hierarquia da Igreja. “Queriam casar-se, se amavam, queriam filhos e tiveram três. Este homem era tão religioso que todos os domingos ia à missa e ao confessionário, dizendo ‘sei que você não pode me absolver, ma me dê sua bênção’. Este é um homem formado religiosamente.” / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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