Dida Sampaio/Estadão
Dona Socorro e a família passam noites desconfortáveis, sem água, sem luz e com muito calor Dida Sampaio/Estadão

Nas ruas de Macapá, apagão agrava clima de insegurança

Falta de energia elétrica, há mais de uma semana, traz desconforto e medo à periferia da capital do Amapá, que já convive com alta criminalidade

Vinícius Valfré, enviado especial, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2020 | 05h00

MACAPÁ - A luz cai a todo momento nas casas da periferia de Macapá. Moradores reclamam que o rodízio no abastecimento não funciona como propaga o governo. O vai e volta da energia aumenta o desconforto e agrava o clima de insegurança nas ruas escuras da capital do Amapá. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro vende como normalizada a situação no Estado, a vida de moradores afetados pelo apagão segue repleta de improvisos e dificuldades.

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, Bolsonaro disse na segunda-feira que 70% da energia foram restabelecidos no Amapá e deu um prazo de nove dias para normalizar a situação. Quem percorre as periferia da capital percebe que a realidade é outra.

Alguns bairros têm estruturas distintas da distribuição de luz. Com isso, ruas da mesma área ficam com horários de rodízio diferenciados. A falta de energia afeta ainda mais a rotina dos moradores quando a cidade aparece em destaque nas listas da criminalidade. Com uma taxa de 54,1 mortes por 100 mil habitantes, Macapá está entre as dez capitais mais violentas do País segundo o Atlas da Violência 2019. 

Em uma parte do bairro Pacoval, a energia só chega a partir da meia-noite e é suspensa às seis da manhã. Sem ventilador, dormir antes da madrugada é impossível. A falta de luz nos postes e dentro de casa também traz preocupação à família de Socorro Almeida, 42 anos, da professora de reforço escolar.

Na casa dela moram 15 pessoas, entre adultos e crianças. Colchões são espalhados pela varanda para que os pequenos tentem descansar. A família fica do lado de fora, na calçada, em busca de ar fresco. “Como está tudo escuro, é perigoso ficar aqui”, admite. 

Como as baterias dos celulares acabam, é preciso recorrer a velas, que tiveram preços inflacionados. A caixa sai a R$ 7,50 e não dura mais do que uma noite. É uma despesa importante para quem tem renda baixa. Definitivamente, as coisas não estão normais na casa de dona Socorro nem na extensão dessa localidade, próxima ao centro da capital. 

Para que mais luz natural entre na casa durante o dia, parte da mobília e dos eletrodomésticos da cozinha ficam de fora. A geladeira perdeu utilidade. Parte da comida estragou nos dias sem energia. Mesmo com o rodízio, os períodos não são suficientes para congelar a comida nem para gelar água suficiente para todos os moradores da casa. “Nós estamos bebendo água quente”, contou a professora. Se decidem se dar ao luxo de uma coca-cola gelada no comércio local, pagam R$ 15 na garrafa, em vez dos R$ 8 cobrados antes do apagão.

Noite tem calor de quase 40ºC

Na sensação térmica de quase 40ºC, a solução é beber água quente. No ócio das noites escuras, vizinhos discutem o que é pior: ter luz até meia-noite e passar a madrugada no calor ou suar até o início da madrugada para poder dormir com o ventilador ligado.

Filha de Socorro, Maria Clara Barbosa de Almeida, 20, cursa Serviço Social. Sonha dar uma vida melhor à família e ajudar profissionalmente pessoas que precisam. No período de apagão, estudar está fora de cogitação. Manter-se segura, ter comida e água limpa são as preocupações centrais. “É sobre o nosso dia a dia, nossa rotina, que está completamente mudada. Tem muita gente se aproveitando de apagão, bandido aproveitando para roubar”, disse. “Estão tendo acidentes também. Meu marido é ajudante de pedreiro e vigilante da obra. Ele precisa trabalhar e quase caiu de bicicleta em um buraco. O trabalho dele fica mais perigoso também.”

Unidade de saúde tem apoio de gerador

Há uma semana, desde o início do apagão, a UPA da Zona Norte de Macapá, no bairro Novo Horizonte, é auxiliada por um gerador que precisa ser ligado manualmente quando há pique de energia. Durante a hora em que a reportagem permaneceu na unidade, caiu o abastecimento do entorno por alguns minutos, derrubando luz e sinais de telefonia. “Já aconteceu outras duas vezes”, contou uma mulher que acompanhava o marido em atendimento.

Segundo funcionários da unidade, o atendimento não é prejudicado porque equipamentos como respiradores têm baterias que são acionadas entre a queda da luz e a ativação do gerador. A unidade lida, também, com pacientes com a suspeita da covid-19. Banhos e lavagem de roupas e de máscaras perderam frequência. Autoridades sanitárias ainda têm dúvidas sobre como a doença afetará as aglomerações e falta de higiene.

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Amapá: rodízio de energia atende bairros nobres e periferia fica no escuro

Vendedor na cidade de Santana não tem como guardar açaí: ‘até vela falta’; em bairros ricos, como o do senador Davi Alcolumbre, serviço volta aos poucos

Vinícius Valfré, Enviado especial

09 de novembro de 2020 | 05h00

MACAPÁ E SANTANA - Se não bastasse o apagão de energia e o desligamento das bombas de água, a casa do vendedor de açaí José Luiz Furtado da Silva, de 46 anos, foi tomada por lama e terra. Uma chuva inundou, semana passada, a casa na Baixada do Ambrósio, periferia de Santana, a 20 quilômetros de Macapá. Com a solidariedade dos vizinhos, ele conseguiu água de um poço para abastecer a família, mas enfrenta um acúmulo de problemas.

A preocupação dele e da mulher, Adineide Nascimento, de 45 anos, é o peso da falta de energia na renda. Não podem limpar e bater frutos do açaizeiro. Refrigerá-los também é impossível. “Não conseguimos trabalhar. Dependo muito da energia. Tem de ter energia para esquentar água, ligar a batedeira e fazer o vinho do açaí”, diz ele. “Até vela falta no comércio.”

O governo federal disse neste domingo, 8, que 76% da energia foi retomada no Estado, que está sem energia desde terça-feira, 3, quando um incêndio afetou uma subestação de energia. A previsão para restabelecer completamente o serviço, no entanto, é no fim desta semana. Além disso, a Justiça Federal deu prazo até terça-feira, 9, para que o problema seja totalmente resolvido. 

Enquanto as regiões de classe média de Macapá já haviam entrado no rodízio de abastecimento, o bairro seguia no escuro. O casal mora num conjunto com outras duas famílias e cria um dos filhos de uma sobrinha, desempregada. Na formação de Weverton, de 13 anos, outro impacto. As lições da escola estadual, que estavam sendo enviadas pelo WhatsApp por causa da pandemia, pararam de chegar. O ano letivo, já problemático, agora está interditado.

O apagão reforça contrastes sociais que já eram visíveis no Amapá. Diferentemente do que ocorre na periferia da capital e cidades vizinhas, as regiões centrais têm alguma estabilidade na retomada do serviço de energia, com rodízio. Classes média e alta sentem menos a crise. Na residência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), no bairro do Trem, região central de Macapá, há um rodízio bem definido, com períodos de luz de 6 horas às 12 horas e de 18 horas à meia noite. Nas partes mais pobres, não há a mesma precisão.

Quem pode pagar correu para hotéis da capital em busca de energia e noites fresquinhas de sono. Placas de “não há vagas” estão pregadas nas portas. Com reduto eleitoral no Estado, Alcolumbre está em Macapá na estratégia de mostrar empenho para resolver a crise. A população direciona a revolta aos políticos locais, com críticas ao senador.

O impasse pode, ainda, atrapalhar planos do clã. Josiel Alcolumbre, irmão de Davi, que tenta se eleger prefeito pelo DEM. O bairro onde mora, o Central, de classe média, também tem rodízio definido. Os adversários não perderam a chance de desgastar os irmãos e o governador Waldez Goés (PDT), aliado do senador.

Ao ser abordado na calçada de sua casa pela reportagem, Josiel não quis comentar críticas dos moradores. O presidente do Senado, por sua vez, recorreu às redes sociais para rebater ataques. “Em vez de procurar culpados, nós estamos focados na solução, que é resolver o problema dos amapaenses”, escreveu, no sábado, 7. Muitos internautas escreveram que Davi está mais preocupado em se reeleger para o comando da Casa. Sobre as críticas, a assessoria do parlamentar ressaltou apenas que os bairros da capital têm rodízio e que não há qualquer privilégio ao parlamentar. No domingo, ele ainda cobrou investigação e perda da concessão pela empresa responsável

'Estamos pedindo socorro. Estamos isolados'

Mesmo em Macapá, cidade que os Alcolumbre tentam o controle político, a situação segue dramática. “Estamos pedindo socorro. Estamos isolados”, desabafou Klebson Bosque, 42, após levar água para os pais, de 88 e 90 anos, que estão em apuros no Perpétuo Socorro. Moradores de bairros de população de baixa renda, como Pedrinhas, relataram que a noite de sábado para domingo foi mais uma vez no breu absoluto.

A energia chega a ser restabelecida em alguns momentos, mas não se mantém. O quadro varia de bairro a bairro. O temor de queima de eletrodomésticos demanda que sejam retirados das tomadas. Alguns relatam que a saída para não perder a pouca comida congelada que tinham é conservá-la em sal. O prejuízo, no entanto, é certo.

O peixeiro Waldemar da Trindade, de 63 anos, perdeu 300 quilos de pescado. A fábrica não consegue produzir gelo e os congeladores desligados não conservam a temperatura sob o calor de 33 graus. Exemplares de tucunarés, curimatãs, pirapitiningas, aracus e tambaquis que não foram recolhidos por pessoas que os quiseram de graça foram parar no lixo. “Coloque a mão aí. Os peixes estão quentes. Vou ter que jogar tudo fora.”

Comerciantes de peixes que trabalham no centro de Macapá compram o alimento fresco de pescadores para revendê-los. Como não acreditam na compreensão dos fornecedores, já calculam prejuízos. “Não estou conseguindo dormir. Teremos dívidas. Os vendedores vão nos cobrar. E não vemos solução. Paguei R$ 30 num balde de gelo sujo, veio até coxa de galinha dentro”, lamentou Sidney Nascimento Ramos, de 64 anos.

Em Santana, com quase 120 mil habitantes, a condição também é bem diferente da vivida pela elite política do Amapá. Recém-operado e com pressão alta, Dijair Gomes, de 43 anos, tentou algum conforto dormindo dentro do carro, com ar-condicionado ligado. “Nosso alimento estragou. Estamos sem água, sem energia e sem poder trabalhar.”

O calor forte é o mesmo ao qual o camarão que vende como ganha-pão estava exposto há cinco dias. Apesar do cheiro forte, ele acredita que o crustáceo pode aguentar ainda mais três fora das geladeiras. Enquanto era entrevistado pela equipe de reportagem, à luz de velas, a energia foi restabelecida. Nada que tenha motivado grande comemoração ou alívio. “Tomara que não vá embora, né? Já aconteceu isso outras duas vezes.”

Companhia de Eletricidade admite diferença entre regiões

A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), responsável pela distribuição, afirma que não é operação fácil restabelecer um sistema que foi todo desligado e admite a diferença de tratamento entre regiões. Assinala, no entanto, que regiões são eleitas como prioritárias por conta da presença de unidades de saúde e hospitais.

A empresa tem uma planilha de rodízio para todo o Estado, mas atribui eventuais descumprimentos dos compromissos a irregularidade nas regiões periféricas. A companhia disse ainda que houve problema de rodízio em Santana por conta de um defeito numa substação, que teria sido resolvido.

O presidente da CEA, Marcos do Nascimento Pereira, diz que populares tentaram forçar um religamento irregularmente. "Está tendo uma atenção especial no Estado. O que pode ser feito está sendo feito. O consumidor tem que ficar tranquilo com relação a isso. E o consumidor tem que ter responsabilidade no uso da energia", disse. "Não há privilégio de áreas. Toda área considerada prioritária tem explicação. E explicação está relacionada a serviços essenciais. Não há atendimento especial a área nenhuma.”  Pereira assumiu a presidência da companhia na última terça-feira, 7, dia em que um raio atingiu um transformador da subestação que tem como responsável a empresa Gemini Energy.

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Com o apagão, o Amapá perdeu o controle sobre os dados da pandemia e não atualiza o número de infectados e mortos Dida Sampaio|Estadão

Com apagão, Amapá deixa de contar novos infectados pelo coronavírus

Apagão atrasa registro de casos e mortes pela covid-19; UTI está sobrecarregada

Vinícius Valfré, enviado especial , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Com o apagão, o Amapá perdeu o controle sobre os dados da pandemia e não atualiza o número de infectados e mortos Dida Sampaio|Estadão

MACAPÁ - A falta de energia no Amapá colocou o sistema estadual de saúde pública, já precário, sob mais pressão. Com a queda no sistema elétrico, há uma semana, em 13 dos 16 municípios do Estado, a comunicação da rede do setor foi cortada e prejudicou o controle de registro de novos pacientes com suspeitas da covid-19 que procuram o primeiro atendimento nas unidades regionais.

O governo estadual informou ao Estadão que há cinco dias não envia boletins de casos da doença ao Ministério da Saúde. Outros Estados também vêm apresentando problemas na atualização dos boletins. 

Sem os dados em tempo real, as autoridades sanitárias locais não sabem como a pandemia se comporta. A falta de informação prejudica a gestão do sistema e dificulta, por exemplo, planejar a necessidade de mais ou menos leitos. 

“Por causa do apagão, temos um limbo de informação que ainda não conseguimos acessar, sobre casos que, por exemplo, procuraram unidades básicas de saúde”, disse o secretário estadual de Saúde, Juan Mendes Silva. “A comunicação ainda está fragilizada. Hoje estamos começando a retomar a questão do boletim.”

O abastecimento de energia tem sido restabelecido de forma permanente nas áreas dos hospitais, sem os rodízios de seis horas que foram estabelecidos para outras áreas. Apesar disso, ainda há oscilação em unidades básicas de referência para o combate à covid-19. São esses os locais que, no Amapá, recebem pacientes com os primeiros sintomas, para testagem.

No centro de Macapá e nas periferias, máscaras de proteção facial não predominam. O crescimento dos casos de infecção pelo novo coronavírus foi significativo nas últimas três semanas e, antes do apagão, a curva ainda era estável, sem declínio. O consórcio de veículos de imprensa registrou a partir do dia 26 de outubro 1.883 casos e 10 mortes. Até a última quarta-feira, 751 amapaenses haviam morrido com o vírus. Os números, porém, não são atualizados desde o dia 4. Ontem, a equipe de reportagem presenciou a retirada de dois corpos de vítimas da covid-19 do Hospital Universitário, referência no combate à doença.

A UTI do Hospital Universitário está sobrecarregada. O quadro demanda uma manobra de enfermeiros para não desmotivar os pacientes que lutam pela vida. Enquanto as equipes dos serviços funerários saem com corpos em caixões lacrados, os profissionais da saúde se posicionam de modo a obstruir a visão dos internados.

Previsão de surtos

Outro foco de pressão sobre o sistema de saúde do Amapá está nos improvisos da população para ter o que beber e comer nos últimos dias. Sem água para lavar a louça ou consumir, quem não pode pagar por galões inflacionados recorre a doações, poços artesianos ou até mesmo ao Rio Amazonas. O governo estadual prevê surto de casos de doenças diarreicas agudas por causa da qualidade da água que está sendo consumida e das condições dos alimentos. 

A queda de energia, provocada por incêndio em uma subestação, interrompeu o funcionamento das bombas da companhia de distribuição de água e o governo chegou a usar geradores para retomar esse serviço. Na pandemia de covid-19, as autoridades mundiais ressaltam que a higiene é um importante fator para conter o avanço da doença. “Moramos na beira do maior rio do mundo e não temos água para beber”, afirma o caminhoneiro Danielso de Araújo Borges, de 37 anos.

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Hospital teve de revezar na hemodiálise dele, diz mulher que perdeu marido durante apagão no Amapá

Rubens Neves de Albuquerque Júnior, de 59 anos, morreu no sábado e família atribui piora no quadro ao apagão que atinge o Estado. 'Sempre acreditei que ele ia sair vivo', lamenta mulher

Vinícius Valfré, Enviado especial a Macapá

10 de novembro de 2020 | 05h00

O apagão no Amapá impôs a alguns moradores tragédias em combo. O Estado enfrenta problemas no fornecimento regular de energia elétrica desde a terça-feira passada. Aos poucos, a luz volta à região, mas as dificuldades ainda são sentidas. O governo federal fala em restabelecimento total em nove dias. Além da preocupação sobre como ter água para beber e para a rotina de casa, a professora Maria Adriana Silva Fonseca, de 36 anos, tinha apreensão com o quadro de saúde do marido. 

Aos 59 anos, Rubens Neves de Albuquerque Júnior contraiu o novo coronavírus. Com quadro de diabetes e pressão alta, não conseguiu a mesma pronta recuperação que Adriana e as filhas, de 13 e 14 anos.

De um hospital na cidade de Santana, a 20 quilômetros da capital, Rubens foi transferido para o HU, na capital. Foram dez dias internado, sem nenhum contato com a família. A última conversa com a mulher foi há duas semanas, por telefone. 

O paciente morreu no sábado, 7. “Estava esperando que ele fosse se recuperar. Ele lutou pela vida dele. Eu sempre acreditei que ia sair daqui com ele vivo, assim como deixei ele aqui vivo”, lamentou Maria Adriana. A professora afirma que recebeu informações do hospital sobre a necessidade de revezamento dos pacientes nos aparelhos de hemodiálise.

“A situação dele se agravou por causa desse apagão. Tiveram de revezar na hemodiálise dele. Essa (falta) de energia também atingiu aqui”, relatou. “O que chegou para nós foi que o que agravou foi o apagão mesmo”, ressaltou. 

Procurada por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Saúde não comentou a denúncia. A direção do hospital também evitou se pronunciar.

Mortos pela covid-19 precisam ser enterrados rapidamente. Os corpos são tirados do hospital por funcionários com roupas especiais e logo levados para o cemitério. Entre a família de Maria Adriana receber a notícia da morte e enterrar Rubens, passaram-se apenas cerca de cinco horas. 

O cemitério São José de Macapá, para onde foi levado o corpo do técnico, não permitiu que os parentes fizessem velório. A equipe de reportagem também não pode entrar no cemitério. A justificativa é evitar aglomerações por causa do vírus.

A ordem que é passada aos coveiros é limitar no máximo a dez o número de pessoas com entrada autorizada num sepultamento de algum parente. Diante disso, quase sempre a maior parte da família acaba ficando do lado de fora do cemitério, prestando as últimas homenagens à distância.

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