Em março, PM prendeu 67 motoristas alcoolizados em SP

Outros 289 foram multados; são números recordes desde o início da lei seca, em junho

Fábio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2009 | 00h00

Sessenta e sete motoristas alcoolizados foram presos em flagrante pela Polícia Militar e outros 289 acabaram multados em março, depois de realizarem o teste do bafômetro na capital paulista. São números recordes desde que a lei seca entrou em vigor, em junho do ano passado, e revelam um aumento na fiscalização em São Paulo. Entenda os efeitos do álcool no organismo e os limites da leiOntem, o Estado mostrou pesquisa do Ministério da Saúde que aponta que o número de pessoas que associam álcool e direção já voltou aos níveis pré-lei seca. Com base nela, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, levantou a necessidade de ampliar a repressão que, para muitos especialistas, teria diminuído.Mas o crescimento nas detenções e autuações de motoristas alcoolizados está diretamente relacionado ao aumento da fiscalização da PM paulista, que no mês passado aumentou de dois para dez o número de pontos de bloqueio na capital. Quase 8 mil motoristas foram submetidos ao aparelho que mede a quantidade de álcool no ar expirado pelos condutores - outro recorde.O total de 4,49% de motoristas punidos (com prisão ou com multa) registrado no mês passado - 1 para cada 22 que fizeram o teste - é, por outro lado, o menor desde julho de 2008. De acordo com o tenente-coronel Emilio Panhoza, comandante do 34º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela fiscalização do trânsito na capital, será necessário esperar os próximos meses para verificar qual será a tendência de comportamento - se haverá crescimento ou queda nos flagrantes, por exemplo.ESTRADAS FEDERAISTambém para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde "não representa a realidade das rodovias federais no País". "Dos primeiros meses de vigência da lei seca para cá, verificamos diminuição expressiva no número de pessoas flagradas por dirigirem embriagadas", disse o inspetor Antônio Castilho, da Superintendência da PRF em Brasília. "A pesquisa mostra somente uma parte da realidade. Comprovamos isso (o que dizemos) com números."Segundo a PRF, foram realizadas, entre junho do ano passado e 31 de março deste ano, 120 mil abordagens a motoristas em rodovias federais do País. Em julho e agosto do ano passado, de acordo com a corporação, 1 em cada 9 pessoas abordadas foi flagrada por dirigir com níveis de álcool no sangue superiores ao limite legal. Em março deste ano, porém, houve 1 flagrante para cada 16 pessoas abordadas - o que indicaria, para a PRF, maior respeito à legislação entre os motoristas nas rodovias. "Para nós, é um sinal contrário ao que indicou o Ministério da Saúde", disse Castilho. "Mas, com certeza, deve haver uma maior compatibilização das polícias, especialmente em centros menores, onde a lei seca realmente mal é sentida", admitiu Castilho. FALTA DE CONFIANÇAO ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que o fato de o consumo de álcool entre motoristas aparentemente ter retornado ao nível anterior à lei seca também pode querer dizer que "as pessoas estão confiando que a lei não vai pegar". Ele lembrou que o governo comprou 10 mil bafômetros e os equipamentos estão sendo distribuídos às autoridades estaduais e às polícias rodoviárias. "É necessário que a fiscalização seja mais forte, que as autoridades se dediquem mais a isso, porque é uma questão também de redução da violência nas cidades." COLABORARAM VITOR HUGO BRANDALISE e SANDRA HANHNÚMEROS1 em cada 16 pessoasabordadas nas rodovias federais do País em março foi flagrada dirigindo com nível de álcool no sangue acima do limite permitido120 mil abordagensforam feitas entre junho do ano passado e 31 de março, diz a PRF4,49% dos motoristas submetidos a teste de bafômetro no mês passado foram punidos pela Polícia Militar de São Paulo com prisão ou multa

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