Em meio à crise aérea, cresce procura por táxis

Corridas entre Rio e São Paulo de táxi saem entre R$ 900 e R$ 1.100

Clarissa Thomé e Roberta Pennafort ,

25 Julho 2007 | 21h49

Táxis têm sido cada vez mais procurados por aqueles que querem fugir da crise aérea. Na última semana, a Cooptur, cooperativa de táxi instalada nos aeroportos Tom Jobim e Santos Dumont, fez 30 corridas entre Rio e São Paulo. "Temos sido procurados por grupos de empresários. Eles percebem que é mais negócio ser pego em casa e deixado em São Paulo, no local do seu compromisso, do que enfrentar a incerteza do embarque", afirma um dos sócios da cooperativa, Gilberto Guimarães. As corridas têm saído entre R$ 900 e R$ 1.100. "Gastamos três cilindros de gás, cerca de R$ 60, mais o pedágio e a diária em hotel, para o motorista voltar descansado. O custo da viagem sai a R$ 200. O lucro é bom", afirma Guimarães. A cooperativa é ainda contratada da Gol para fazer o transporte aeroporto-hotel-aeroporto dos passageiros dos vôos contratados. O motorista da Coopertramo Carlos Augusto Cardoso da Silva já foi duas vezes a São Paulo essa semana. Ele dirige uma van executiva, com capacidade para 12 pessoas. O preço fica em R$ 1.150, divididos entre os ocupantes. "Tenho levado empresários que vieram ao Rio a trabalho e não conseguiram voltar. Eu os pego na empresa ou no aeroporto. Teve um pessoal que veio comigo e um dos senhores ficou ligando para os amigos, que decidiram esperar o vôo. Quando chegamos a São Paulo, o grupo que estava no aeroporto estava indo para um hotel, porque o vôo havia sido transferido para o dia seguinte", contou. Com 23 anos de experiência em táxi no aeroporto, Silva disse que nunca viu crise como essa. "Já vi de tudo, coisas horríveis: mulher passando mal, cenas de agressividade". Ônibus As empresas de ônibus também não param de faturar. Na rodoviária Novo Rio, no último fim de semana, o movimento foi espantoso: o número de embarques mais do que dobrou. Fosse por medo de andar de avião ou de passar horas à espera de um, quatro mil pessoas partiram de ônibus para a capital paulista na sexta-feira passada, sendo que, normalmente, o número fica em torno de 1.800. Na segunda, a rodoviária também registrou fluxo de pessoas acima do usual. De acordo com informações da rodoviária, é grande a demanda por veículos luxuosos, mais parecidos com aeronaves - leito (com bancos que reclinam até quase 180º), com ar condicionado e serviço de bordo. As passagens custam, em média, entre R$ 65 e R$ 75. No terminal, não há problemas como os que vêm sendo enfrentados nos aeroportos brasileiros: os ônibus não se atrasam, não existe problema meteorológico que o impeça de partir e a oferta de horários é enorme (a preferência é pelo noturno, que sai do Rio no fim da noite e amanhece o dia já no terminal Tietê). Entre os passageiros que têm procurado os guichês das quatro empresas de ônibus que fazem a linha Rio-São Paulo, estão executivos e funcionários de empresas que precisam estar nas duas capitais. Também têm sido vistos adolescentes, filhos de pais separados e que moram em cidades diferentes.

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