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Em meio à crise no ES, PGR estuda pedir federalização de crimes como o de motim

Em nota, Procuradoria-Geral da República diz que está dando sua contribuição para 'resolver o problema de forma profissional, serena e equilibrada'

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2017 | 15h47

RIO - A Procuradoria-Geral da República estuda a possibilidade de requerer a federalização de crimes como o de motim, de acordo com nota divulgada na tarde deste sábado, 11. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, participou neste sábado de reunião em Vitória para discutir o motim da Polícia Militar no Espírito Santo.

“Diante do grave comprometimento da ordem pública evidenciado pelas inúmeras mortes, falta de transporte público, fechamento de órgãos públicos e do comércio, além do impasse gerado pela manutenção da paralisação e aquartelamento das forças estaduais, a PGR estuda a possibilidade de postular a federalização de crimes como o de motim”, diz a nota da procuradoria.

Janot se encontrou com membros do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e representantes dos governos federal e estadual para discutir possíveis soluções para a paralisação.

“A reunião de hoje demonstra que as instituições estão trabalhando para garantir a ordem pública. O MPF, por meio da Procuradoria-Geral da República e da Procuradoria da República no Espírito Santo, está dando sua contribuição para resolver o problema de forma profissional, serena e equilibrada”, disse Janot no comunicado.

Ele disse ainda acreditar que é possível ter uma solução pacífica para o caso. “As instituições demonstraram hoje que são capazes de dar essa resposta à sociedade", afirmou o procurador-geral da República.

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta.

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