Em meio às lojas populares, comida árabe de elite

Presença de imigrantes sírios e libaneses trouxe à região iguarias que atraem clientes de toda a cidade

Valéria França e Débora Borges, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2007 | 00h00

Quem passa na frente do 38 da Rua Cavalheiro Basílio Jafet, travessa da Rua 25 de Março, nem se dá conta de que ali se esconde um dos bons restaurante árabes da cidade, o Monte Líbano. Na fachada não há nem placa. E o prédio se parece com tantos outros comerciais da região, de entrada estreita e tímida. Mas, ao subir um lance de escada, chega-se a um simpático salão, com 60 lugares e uma sacada, superdisputada pelos clientes. A casa está sempre cheia. O motivo: as iguarias da gastronomia libanesa feitas por Alice Maatouuk, de 73 anos, a dona do restaurante. Comerciantes, políticos e figuras famosas da cidade sempre aparecem por lá. O senador Romeu Tuma (PTB), o secretário de Esportes, Walter Feldman, e o cantor Fábio Júnior estão na lista das figuras conhecidas dos clientes. E quem não pode ir ao restaurante pede em casa. O Monte Líbano tem um bufê. Na quarta-feira, a estilista Glória Coelho organizou um coquetel para lançar sua coleção de alto verão na loja da Rua Bela Cintra, nos Jardins, zona sul. As esfihas folhadas e o falafel (bolinho de fava) servidos saíram da cozinha de Alice. "O Monte Líbano é um dos meus restaurantes favoritos", diz.Imigrantes sírios, libaneses e árabes foram os grandes responsáveis pela Rua 25 de Março virar um grande centro comercial. Eles abriram os primeiros empreendimentos. A comida árabe, portanto, ainda é um clássico da redondeza. "Antigamente na minha loja só vinham os patrícios. Hoje vem até japonês", diz João Cury, dono do Empório Syrio Ltda, tradicional casa na Rua Abdo Schahin. Na porta, uma vitrine deixa à vista doces de figo e de pistache(R$ 1,50), além de bandejas de frutas secas (R$ 26, a de 900 gramas). Nas prateleiras da loja, pasta de babaganuche importada do Líbano (R$ 8,70, 360 gramas). A visita vale até mesmo pelo clima da loja, com tapeçarias na paredes e masbaha (um passatempo árabe, parecido com um terço). MERCADÃOBem perto do Empório, na Rua da Cantareira, fica o Mercado Municipal Paulistano, que oferece de pastel de bacalhau a comida japonesa. No térreo, bancas vendem frutas cortadas em pedaços em porções individuais. Tudo muito limpo. No fim do passeio, para quem vai à Estação São Bento do Metrô, a dica é o Café Girondino, na Rua Boa Vista, que no almoço serve pratos do dia, como filé de peixe à Belle Munière (R$ 43), e no fim da tarde vira ponto de encontro de funcionários da Bolsa de Valores.

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