Em MG, divisão ameaça aliança vitoriosa

Parte do PT quer repetir parceria encabeçada pelo PSB, enquanto outra ala defende confronto aberto com PSDB

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

Sem nomes fortes para disputar a prefeitura de Belo Horizonte no ano que vem, parte do PT mineiro já trabalha para reeditar a aliança que elegeu Márcio Lacerda (PSB) em 2008. Embora uma ala do partido defenda um confronto aberto com os tucanos, o grupo alinhado ao ex-prefeito e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, se articula nos bastidores pela manutenção da coligação, que inclui o PSDB.

O argumento é que se o partido abdicar da composição com Lacerda estará empurrando o PSB para o colo do senador mineiro Aécio Neves (PSDB). Os tucanos já assediam Lacerda, mas o prefeito está determinado a manter as pontes com os governos estadual e federal, dos quais participa o PSB. "Eu tenho a obrigação de tentar reeditar a aliança", afirmou.

Lacerda tem se equilibrado e feito apelos para tentar viabilizar a repetição da aliança. O prefeito circula com desenvoltura entre tucanos e petistas. De acordo com interlocutores, o prefeito se apoia nos "setores mais responsáveis" dos partidos para jogar para daqui a um ano qualquer definição. O prefeito defende a tese de que a população poderá reagir negativamente em caso de antecipação da disputa.

Os socialistas mineiros lembram também que PT e PSDB não contam com opções reais de vitória na cidade. No caso do PT, o ex-ministro Patrus Ananias tem deixado claro em conversas reservadas que não pretende entrar numa eleição arriscada, avaliando que o partido perdeu muito espaço entre o eleitorado da capital mineira.

O diretório estadual petista saiu ainda mais dividido da eleição estadual no ano passado, quando a chapa Hélio Costa (PMDB) e Patrus (PT) foi derrotada pela coligação encabeçada por Antonio Anastasia (PSDB).

Peso. Os tucanos, contudo, não estão dispostos ao papel de coadjuvante. O presidente do PSDB em Minas, deputado Marcus Pestana, admite negociações, mas afirma que o partido quer um peso maior no próximo pleito, avaliando que Aécio foi "generoso" na composição da aliança e "ganhou a eleição na capital".

Pestana reclama que os tucanos foram recebidos no Executivo municipal de uma forma "não tão acolhedora", mas diz que o partido não terá "nenhum tipo de preconceito" em relação ao PT. Porém, sugere que o PSDB quer a vaga de vice. "Queremos ter uma participação proporcional ao nosso peso", defende.

Para o PSB, o que joga a favor de Lacerda é o receio de derrota entre petistas e tucanos. "Tanto para o PSDB quanto para o PT perder a eleição em Belo Horizonte seria muito ruim", confia um líder socialista.

Contudo, na chamada "esquerda" petista qualquer nova aproximação com os tucanos soa como uma blasfêmia. "Para mim a aliança com o PSDB foi um grande erro. O que não pode haver é a repetição da política que não deixa claro as diferenças entre petistas e tucanos no Estado", afirmou Rogério Correia (PT), líder do bloco oposicionista na Assembleia.

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