Auro Queiroz/Panoramio
Auro Queiroz/Panoramio

Em MG, Estado recordista de casos de racha, disputa matou jovem de 20 anos

Polícia identificou um dos motoristas, mas segundo veículo do caso ainda é desconhecido; acusado pagou fiança e está livre

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

19 de agosto de 2016 | 03h00

BELO HORIZONTE - Há quatro anos, uma família de Minas convive com a consequência da irresponsabilidade ao volante. Foi por causa de um racha que o casal Ana Cristina Franco Pimentel e Júlio César Fraiha perdeu o filho Fábio Pimentel Fraiha, à época com 20 anos. O jovem morreu em um acidente em Belo Horizonte na madrugada de um domingo, em setembro de 2012. O Estado é o recordista no País em multas pelo uso de carros para disputa de corridas e também para o que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) chama de exibição de manobra perigosa.

Fraiha tentava entrar na Avenida Nossa Senhora do Carmo, na zona sul da capital mineira, que liga a cidade à BR-040, sentido Rio, quando foi atingido por um Land Rover conduzido por Michael Donizete Lourenço, então com 22 anos. Fraiha dirigia um Ford Focus. Um vídeo feito à época por câmera da BHTrans - a companhia de trânsito da capital - mostrou que outro veículo, não identificado, estava logo atrás do Land Rover, ambos em alta velocidade. 

O caso ainda está sob investigação da Polícia Civil. As apurações devem apontar, por exemplo, se algum dos veículos avançou o sinal de trânsito. Os policiais tentam ainda identificar o segundo carro. Três dias depois do acidente, a família de Lourenço pagou fiança de R$ 43 mil para que o filho fosse solto.

No Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran), a delegada responsável pela Delegacia Especializada em Acidentes de Veículos, Carla Vidal, não fala sobre as investigações porque, conforme a assessoria de comunicação do departamento, elas estão sob sigilo.

Histórico. Minas Gerais tem um longo histórico na disputa de rachas. Na década de 70, era famosa a realização de disputas com veículos e seus motores “envenenados” na Avenida Catalão, próximo do Mineirão, na zona norte da cidade.

Nos anos 90, os rachas foram transferidos para uma avenida que faz limite entre os municípios de Belo Horizonte e Nova Lima, que acabou conhecida até hoje como “seis pistas”. As disputas só terminaram quando a região passou a contar com número maior de estabelecimentos comerciais.

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