Em Minas, fala machista leva a protesto em Câmara

Eleitores de São José da Lapa invadem plenário contra presidente que chamou a casa de 'lugar para homem'

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2011 | 00h00

Moradores de São José da Lapa, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), ocuparam anteontem o plenário da Câmara de Vereadores em protesto contra uma declaração considerada machista, feita pelo vereador Toninho das Asbec (PR).

A declaração ocorreu na votação de dois projetos de lei. Cidadãos que assistiam à sessão protestaram quando o presidente propôs voto secreto. Irritado, o vereador fez o discurso, que foi parar na internet. "Tem que ter hombridade. Aqui é lugar de gente que tem que ter atitude. Sem querer desmerecer as mulheres, absolutamente, isso aqui é lugar para homem", afirma Toninho.

Após as declarações, moradores lotaram a Casa. "Ficamos chocadas. Causou indignação nas mulheres, homens e homossexuais", disse a secretária Terezinha de Jesus, que encabeçou o protesto. "O erro é humano, mas palavra proferida não tem retorno. É um parlamentar representando o povo", disse.

O vereador desculpou-se pela declaração, mas alegou que foi vítima de um mal-entendido e de uma "grande injustiça". Segundo ele, a fala divulgada na internet estava fora do contexto. Ele salientou que se dirigia aos vereadores - os nove parlamentares do município são homens - que mudaram de posição em relação ao regimento. "Pedia coerência. Que eles honrassem a palavra. Não tem discriminação. Dos 15 servidores da Câmara, 13 são mulheres, assim como minha chefe de gabinete", concluiu.

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