Em Minas, sismo matou menina e criou uma ''cidade fantasma''

Estado bancou a construção de novas moradias; últimos casos no País fazem especialistas pedirem a criação de uma rede nacional de sismologia

O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2008 | 00h00

Um terremoto de 4,9 pontos na escala Richter, no início da madrugada de 9 de dezembro do ano passado, atingiu Itacarambi e outros municípios da região norte de Minas, seguido de outros 42 tremores apenas na primeira hora. Os pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) relataram, ao todo, 162 tremores de até 1,9 ponto somente naquele domingo.Uma criança morreu e seis pessoas ficaram feridas. Outras 300 acabaram desabrigadas em decorrência do tremor. Nos dias anteriores, foram identificados três sismos - um no dia 5 (às 4h04) e dois no dia 8 (19h52 e 20h01) - com magnitudes inferiores a 2 pontos. Mesmo assim não foi possível prever um evento de maior magnitude.As autoridades praticamente esvaziaram o distrito, removendo famílias para escolas da área urbana. Em Caraíbas, moradores relataram momentos de pavor. Segundo a PM, a menina Jessiane Oliveira da Silva, de 5 anos, morreu após um muro atingir o quarto em que dormia com a irmã gêmea. Ela foi enterrada ontem. Outro irmão da vítima, de 7 anos, que também estava no quarto, não se feriu.Um levantamento do Corpo de Bombeiros indicou que 95% dos imóveis foram comprometidos e, por isso, tiveram de ser demolidos. Em janeiro, o governo de Minas anunciou a construção de 76 casas na comunidade rural de Caraíbas, para abrigar as famílias. As casas da Companhia de Habitação do Estado (Cohab) tiveram o custo de R$ 1,65 milhão e previsão de entrega até maio.SOBRALNo dia 29 de fevereiro, Sobral, no Ceará, registrou um abalo de 3,9 graus na escala Richter. "Foi o maior de todos", informou Francisco Brandão Melo, chefe do Laboratório de Sismologia da Defesa Civil, que registrou três abalos no primeiro trimestre deste ano. Assustados, moradores de várias cidades permaneceram acordados nas ruas durante a madrugada. Muitas pessoas passaram mal e foram socorridas. Os tremores começaram por volta das 2 horas. Os equipamentos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que monitoram a região nordestina, registraram mais de 100 abalos em 8 localidades. REDEPor conta dos últimos abalos registrados, o Brasil está montando a primeira rede de sismologia. Composta por cerca de 50 estações espalhadas pelo País, ela vai monitorar os raros terremotos fortes que acontecem no território, os tremores menores, mais freqüentes, e também servir de ferramenta para pesquisas geológicas.Terremotos como o que atingiu o litoral paulista ontem e a cidade de Itacarambi, em dezembro, são raros. A rede poderá ser usada para lançar alertas às autoridades no caso de risco iminente e, principalmente, ajudar os cientistas brasileiros a entender melhor a dinâmica tectônica brasileira.A rigor, trata-se de três redes em uma, interligadas, com dados abertos para a comunidade científica. O Observatório Nacional, no Rio, centralizará a operação. A implantação custará R$ 20 milhões e a primeira parte da rede só deve começar a funcionar em meados de 2009 - a procura chinesa por sismógrafos tem provocado uma fila de pedidos, e o processo de manufatura, em grande parte artesanal, não acompanha a demanda.

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