Em missa, papa destaca beatificação de Nhá Chica

'Uno-me à alegria da Igreja no Brasil por esta luminosa discípula do Senhor', disse Francisco

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2013 | 15h12

Em missa celebrada no domingo, 5, na Praça São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco falou sobre a beatificação de Nhá Chica, ocorrida no dia anterior em Baependi, no sul de Minas.

"No Brasil foi proclamada Beata Francisca de Paula De Jesus, conhecida como Nhá Chica. A sua vida simples foi toda dedicada a Deus e à caridade, tanto que era chamada a ‘mãe dos pobres’. Uno-me à alegria da Igreja no Brasil por esta luminosa discípula do Senhor", disse o papa.

A mineira Francisca de Paula de Jesus entrou para uma lista ainda restrita de apenas 5 santos e 80 beatos brasileiros reconhecidos pela Igreja Católica.

Irmã Dulce - O cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, que fez a beatificação de Nhá Chica, disse ao Estado, em Caxambu, que os brasileiros precisam tornar a Beata Irmã Dulce mais conhecida no País para apressar o processo de canonização.

"Irma Dulce é muito popular na Bahia, mas não no Brasil todo", observou o cardeal responsável pela condução dos processos de beatificação e canonização. A beata baiana precisa ainda da aprovação de um milagre para ser declarada santa. Amato acrescentou que esse é também o caso do padre José de Anchieta, beatificado em 1980, que está dependendo de um milagre para a canonização.

O prefeito da Congregação para a Causa dos Santos informou que está progredindo o processo de beatificação de d. Oscar Romero, o arcebispo de San Salvador, em El Salvador, que foi assassinado em 1980 por militantes da extrema direita. D. Oscar Romero não precisa fazer milagre para ser beato, porque foi martirizado em defesa da fé católica. O arcebispo defendeu perseguidos e famílias de desaparecidos durante o regime militar de El Salvador.

Ao saber do conselho do cardeal Amato, o bispo de Campanha, d. Diamantino Prata de Carvalho, comentou que, após a beatificação de Nhá Chica, está mais preocupado agora com o processo do padre Francisco de Paula Victor, também neto e filho de escravos, para que ele seja beatificado logo. Esta semana, o bispo vai se reunir com o postulador da causa, o advogado italiano Paolo Vilotta, na cidade de Três Pontas, para coletar dados e depoimentos sobre padre Victor.

No domingo, d. Diamantino celebrou missa campal com a participação de cerca de 1.500 fiéis no descampado onde Nhá Chica foi beatificada em Baependi. Na homilia, de cinco minutos, o bispo exaltou as virtudes da nova beata e aconselhou os devotos a seguir seu exemplo de vida de oração e dedicação aos pobres.

A celebração se encerrou com a bênção de uma imagem de Nhá Chica que à noite seria levada para o Santuário da Imaculada Conceição, a igreja de Nhá Chica, onde se encontra uma urna com seus restos mortais. Centenas de romeiros foram rezar na igreja no domingo, numa aglomeração constante que se estendia à ladeira que dá acesso ao templo. Era grande o movimento também na casa em que morou a beata, anexa à igreja. Numa loja administrada pela Associação Nhá Chica, vendiam-se medalhas, terços, estampas e folhetos de orações da beata.

A Polícia Militar informou que, apesar do grande afluxo de pessoas, cerca de 31 mil devotos na missa de beatificação, só foi registrada uma ocorrência: o desvio de um documento. Os devotos que se perdiam na multidão eram encaminhados para um ponto de encontro, de onde os parentes ou acompanhantes eram avisados por alto-falante.

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