Em missas, amigos oram pelo fim do seqüestro do jornalista

Parentes e amigos do jornalista Ivandel Godinho reuniram-se hoje, no Rio, numa missa paraorar pela solução do seqüestro dele, que já dura oito meses. Cerca de 200 pessoas compareceram à Igreja de São José, na Lagoa (zona sul), no ato chamado de Missa pela Paz e Contra a Violência. As preces foram estendidas à memória do jornalistaLeonardo Blaz Cicoti, de 26 anos, morto no último dia 3 durante um seqüestro-relâmpago. A missa aconteceu simultaneamente a outra, realizada com as mesmas intenções na Catedral da Sé, em São Paulo. Godinho, de 55 anos, é diretor da empresa de comunicação InPress Porter Novelli e foi levado por dois homens armados numa moto no dia 22 de outubro de 2003. Ele chegava ao escritório, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nos Jardins. Casado, Godinho tem quatro filhos. No início, a família optou pelo silêncio e chegou a negociar com os seqüestradores. O último contato ocorreu no dia 10 de janeiro, quando foi pago um resgate. ?Até aquele momento tínhamos a certeza de que ele estava vivo?, contou Marlene Carvalho, cunhada do jornalista, que preferiu não dar detalhes das negociações. Vestindo camisetas com a foto de Godinho e carregando rosas brancas, cerca de 200 pessoas compareceram à missa conduzida pelo padre Sérgio Muniz. A mulher de Godinho, Kiki Moretti, estava presente, mas não quis dar entrevistas temendo atrapalhar o trabalho da polícia. Teresa de Vasconcelos, ex-mulher do jornalista, também participou. O padre pediu preces pelo fim do drama da família de Godinho e consolo para a de Cicoti. ?Essa situação é um símbolo do que passam tantas outras famílias?, disse. Marlene Carvalho esclareceu que o caso de Cicoti não tem relação com o de Godinho, mas que a família decidiu ampliar o ato por causa da semelhança entre os crimes. ?É um ato pacífico para que as autoridades ajam. A família confia no trabalho da polícia, mas o caso já está por demais demorado?, declarou. No fim da missa, Carmen Gonzalez, secretária da Inpress, leu uma carta assinada por Hugo e Nina, os dois filhos mais velhos do jornalista.?Esses meses têm sido de angústia e apreensão, mas também de aprendizado e de fortalecimento da fé?, dizia um trecho,numa expressão do que tem sido o cotidiano da família desde o seqüestro. A carta também cobra ações da polícia. ?Nosmomentos de dor diante de tamanha barbárie, ganhamos força o bastante para vir aqui pedir que todos nos indignemos contra o que estamos vivendo hoje. Exigimos ação das autoridades e apoio da população?, diz outro trecho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.