Em navio, 380 têm intoxicação

Vigilância Sanitária identificou problemas com água servida e falhas no armazenamento de comida

Tiago Décimo, SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

O navio MSC Sinfonia, atracado em Salvador (BA) desde a manhã de anteontem, retido pela Vigilância Sanitária - que investigava a causa de 380 casos de intoxicação alimentar a bordo - foi liberado às 18 horas de ontem, após três adiamentos. O navio é o mesmo que teve uma morte a bordo - na segunda-feira, a carioca Aline Mion Almeida, de 32 anos, portadora de distrofia muscular, morreu quando a embarcação estava no Recife (a PF investiga o caso) - e uma internação, anteontem, de uma mulher de 87 anos que sofreu problemas cardíacos. Ontem de manhã, o advogado Pedro Macente, de 71 anos, de Curitiba, sofreu um enfarte. Foi para a UTI da Fundação Baiana de Cardiologia. Segundo o médico que o atendeu, Marcílio Batista, seu estado, no início da noite, era "muito grave". "Tentamos fazer uma angioplastia, sem sucesso", afirma. E diz que o caso não tem relação direta com as intoxicações. Genro de Macente, o administrador de empresas Otton Lima afirma que a tensão a bordo pode ter causado o mal. "Ontem, estávamos com quatro familiares recebendo soro por causa da intoxicação."De acordo com a assessoria da MSC, foi dada opção de desembarque para idosos, gestantes e famílias com crianças pequenas. Dos 2.050 passageiros, 51 ficaram em Salvador. A empresa promete pagar as passagens de volta para o Rio, destino final do cruzeiro, que de lá partiu na última sexta e passou por Recife e Maceió antes de chegar à Bahia. A empresa divulgou nota afirmando que, apesar de "não ser a responsável pelo atraso", oferecerá 25% de desconto para futuros cruzeiros, "exceto réveillon e carnaval". LIBERAÇÃOO navio foi liberado para zarpar após mais análises da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo o órgão, o teor de cloro na água servida aos passageiros estava abaixo do normal e havia problemas no armazenamento de alimentos - a maionese, que deveria estar guardada a menos de 15°C, era mantida a 22°C."Corrigimos esses problemas de pronto e consideramos que a situação está sob controle", afirma o coordenador técnico da Vigilância Epidemiológica da Bahia, Juarez Dias. "Também contribuiu para a liberação do navio o fato de as ocorrências de intoxicações terem sido reduzidas nos últimos dias." Segundo ele, dos 380 passageiros que relataram sintoma de gastroenterite - dor abdominal, diarreia ou vômito -, 40 procuraram o posto médico do navio. A MSC diz que foram atendidas apenas 38 pessoas. "A maioria não procura atendimento médico no navio porque ele é cobrado à parte", afirma Dias. Segundo a MSC, não são cobrados atendimentos de emergência.Na hora de partir, o clima na embarcação era tenso. "Vamos passar 36 horas em alto-mar", disse a passageira Aline Cruz, de 36 anos. "E se algo mais acontecer?" Otton Lima tinha preocupação semelhante. "Eles não têm estrutura para casos mais graves. Se meu sogro tivesse enfartado em navegação, teria morrido."

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